Casas impressas em 3D podem reduzir déficit habitacional

Imprimir a própria casa é um sonho que está se tornando cada vez mais viável. Em Nantes, na França, uma família se tornou a primeira a morar em uma casa construída por uma impressora 3D. Nordine e Nouria Ramdani, com seus três filhos, mudaram-se para a nova casa no início de julho. O imóvel tem 95 metros quadrados e foi erguido em 54 horas.

O projeto é resultado de uma parceria entre a Universidade de Nantes e o conselho da cidade. Em entrevista à BBC, Francky Trichet, chefe do conselho em questões de tecnologia e inovação, disse que o objetivo do projeto é verificar se esse tipo de moradia pode ser construído massivamente e se essa tecnologia pode ser aplicada em outros tipos de construções, como ginásios esportivos. Em caso afirmativo, a inovação deve dinamizar o setor de construção civil. “Durante dois mil anos, não houve uma mudança no paradigma do processo de construção”, diz Trichet.

A impressão de moradias deve se tornar mais barata com a evolução tecnológica – além disso, o surgimento de projetos de maior escala também deve pressionar os custos para baixo. Benoit Furet, líder do projeto na Universidade de Nantes, estima que haverá uma redução em 25% no custo de construção nos próximos 5 anos, e de 40% nos próximos 10 ou 15 anos. Além disso, a tecnologia dá maior liberdade aos arquitetos em relação ao formato das casas. Em Nantes, o imóvel foi projetado para contornar as árvores centenárias que existem no terreno.

A tecnologia 3D

A facilidade para se construir este tipo de imóvel é um grande diferencial. Como a construção é comandada por um software, que dá as ordens para os movimentos de inserção das camadas de concreto – a impressão da casa em si –, ela pode ser replicada a distância. A tecnologia também é versátil e permite a criação de diferentes plantas para o imóvel, além de reduzir os custos em mão de obra.

Segundo um levantamento feito pelo Engadget, os imóveis construídos com impressoras 3D podem se tornar cada vez mais comuns a partir de 2019. Há projetos para condomínios apenas com casas impressas por 3D sendo feitos na Holanda, Espanha e França.

A iniciativa também é uma maneira de combater o déficit habitacional nas grandes cidades e até mesmo de ajudar a população em situação de rua. Esta é a proposta da Icon, de Austin, Texas. A start up fundada por Jason Ballard. Em um prazo entre 12 e 24 horas, utilizando uma impressora Vulcan, a empresa coloca em pé uma casa de 60 metros quadrados. Se tratando de um imóvel, o valor é até baixo: US$ 4.000, ou cerca de R$ 13 mil. O valor médio de modelos similares no mercado, hoje, não fica abaixo de US$ 10 mil (R$ 33 mil).

A prevalência de pessoas em situação de rua é reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma crise de direitos humanos. Iniciativas para superar esta realidade estão em linha com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável propostos pela entidade para 2030. Em sua última pesquisa global sobre o tema, realizada em 2005, a ONU estima que 100 milhões de pessoas vivam sem teto e cerca de 1,6 bilhões vivam em condições inadequadas.

Com o uso desta tecnologia se expandindo para outros países, a população brasileira também poderia se beneficiar com estas casas inovadoras. O baixo custo facilitaria a projeção de residências para programas sociais direcionados a criação de moradias. Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontou que, em 2015, o país tinha 101.854 pessoas em situação de rua. No mesmo período, a cidade de São Paulo contabilizou 15.905 pessoas. As casas feitas por impressora 3D podem ser uma solução inovadora para corrigir este grave problema que assola o Brasil.

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