Arie Halpern: chegamos na 4ª Revolução Industrial. E agora?

Indústria 4.0

Aconteceu, agora em janeiro, o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Na pauta da conferência, que reúne anualmente os principais líderes políticos e econômicos do mundo, a 4ª Revolução Industrial. O que, em poucas palavras, se resume a grandes avanços em campos como a Internet das Coisas, nanotecnologia, inteligência artificial e big data. O debate girou em torno, sobretudo, das consequências que essa revolução trará em curto e longo prazos. A grande questão colocada: perda de postos de trabalho.

Um estudo feito pela organização do evento e apresentado na ocasião mostra que a também chamada “Indústria 4.0” será responsável pela perda de aproximadamente 5 milhões de empregos nos próximos cinco anos e motivará o desequilíbrio dos modelos de negócios conhecidos atualmente. O prenúncio é apocalíptico, mas vale lembrar que essa discussão surgiu na 3ª Revolução Industrial. O que aconteceu, entretanto, contraria as previsões alarmistas. O período trouxe bem estar à sociedade, até mesmo (re)inventando trabalhos e funções no mercado.

O que se pode esperar dessa revolução? Ao traçar um paralelo com a 3ª Revolução Industrial, conhecida pelo uso de tecnologias avançadas em sistemas de produção, fica fácil entender que a atual revolução é uma consequência direta da anterior. Segundo Klaus Schwab, fundador do Fórum Mundial de Davos, a atual revolução aprofunda alguns elementos, porém, agora, não há diferenciação entre máquinas e seres humanos. Portanto, sem ser fruto de uma ruptura imediata, a indústria 4.0 tem, como palavra-chave, a hiperconectividade.

É a partir dessa extinção entre a diferenciação de funções que estima-se uma grande perda na oferta de empregos, além de mudanças que impactam significativamente as maneiras de se produzir e consumir produtos e serviços. Mas, como dito anteriormente, essa suposição prevê o pior dos cenários. Estabelecendo-se um paralelo com as revoluções anteriores, foram muitos os avanços e as adequações que possibilitaram novas e até melhores maneiras de se trabalhar, oferencendo-se formas de elevar o rendimento em inúmeros quesitos (pessoais e sociais).

Soma-se, portanto, mais um ponto para a produtividade. Graças às máquinas geradas na revolução anterior (de lavar roupas, louças, entre outras), as pessoas tiveram a oportunidade de direcionar seu tempo para outras atividades, atribuindo mais qualidade para suas vidas.

À primeira vista, o peso da palavra revolução, que implica em mudanças bruscas para determinadas estruturas, pode assustar. Ainda mais sob a perspectiva de grandes perdas no mercado de trabalho. Mas é a tecnologia que gera novos desafios, crescimento econômico e novos empregos em áreas que sequer imaginávamos que pudessem existir. Para não dizer que não há um lado negativo, esses novos sistemas poderiam diminuir as horas semanais trabalhadas, o que, na verdade, não é um problema, conforme alguns exemplos vistos em países escandinavos. A discussão acerca do tema se faz mais do que necessária, afinal, não há volta. E, apesar de se encontrar no início, a Indústria 4.0 promete grandes feitos.

 


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