Cientistas de bioengenharia criam pulmões artificiais

A ciência que envolve o transplante de órgão acaba de dar um passo enorme: pela primeira vez, pesquisadores criaram pulmões artificiais em laboratório e conseguiram transplantá-los com sucesso para porcos. A informação foi revelada em artigo publicado na Science Translational Medicine . Os órgãos, produzidos por bioengenharia, permitiram que os porcos sobrevivessem por várias semanas após a cirurgia sem complicações médicas.

Joan Nichols e Joaquim Cortiella, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Texas e criadores destes órgãos artificiais, trabalham no projeto desde 2014. Eles contam que o pulmão artificial foi construído a partir de um pulmão de verdade, doado por outro porco. Lavando-os com uma mistura de açúcar com detergente, os cientistas retiraram o sangue e as células do órgão, deixando apenas sua estrutura externa, que foi mergulhada em um tanque de nutrientes. O pulmão foi deixado nesse tanque por 30 dias, período no qual se (re)construiu totalmente, e então transplantado. Os órgãos artificiais foram implantados em vários porcos e nenhum deles apresentou rejeição imunológica.

Para verificar se o novo órgão estava sendo bem recebido, os pesquisadores examinaram vários grupos de porcos em diferentes intervalos:  dez horas, duas semanas, um mês e dois meses após a cirurgia. Todos os animais permaneceram saudáveis ​​durante o período e os pesquisadores notaram que os pulmões haviam conseguido desenvolver a rede de vasos sanguíneos necessários para seu bom funcionamento na marca de duas semanas.

“Não observamos sinais de edema pulmonar – o que geralmente é um sinal de que a vasculatura não está madura o suficiente”, afirmaram Nichols e Cortiella no artigo.  “Os pulmões manipulados por bioengenharia continuaram a se desenvolver após o transplante sem qualquer infusão de fatores de crescimento, o corpo forneceu todos os blocos de construção que os novos pulmões precisavam.”

Se o novo procedimento puder ser adaptado para seres humanos, com pulmões criados por bioengenharia a partir das próprias células do paciente, isso poderá reduzir o risco de rejeição de órgãos e reduzir os tempos de espera para transplantes. Só nos Estados Unidos, mais de 1.500 pessoas estão atualmente em lista de espera para um transplante de pulmão. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 194 estavam na lista de espera pelo órgão até junho de 2018.

Arie Halpern, diretor da Tonisity, empresa irlandesa especializada em saúde animal, afirma que o procedimento pode significar um avanço no tratamento de pessoas e animais. “É uma invenção disruptiva que trará benefícios para todos. O sucesso dessa pesquisa abre novos caminhos para a bioengenharia e garante avanços importantes em termos de saúde pública com desdobramentos importantes também na medicina veterinária. ”.

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