Cientistas descobrem novo estado da matéria ao analisar liga de metal

Os estados clássicos da matéria são o sólido, o líquido, o gasoso (observáveis no nosso cotidiano, como no exemplo da água) e também o plasma, que foi descoberto mais tarde, na primeira metade do século 20, e hoje é utilizado em equipamentos eletrônicos. No entanto, um artigo publicado pela revista Science, a mais importante do mundo em física e química, acaba de relatar um novo estado da matéria. A descoberta foi tão surpreendente que ainda não há uma explicação teórica adequada para ela.

Os cientistas da Brown University chegaram a esse novo estado pesquisando propriedades de metais. O que se sabia até agora é que seria possível fazer com que os chamados “pares de Cooper”, presentes nos metais, se comportassem alternadamente como supercondutores – transmitindo quase sem resistência corrente elétrica – ou isolantes – impedindo a passagem da corrente de elétrons. O nome é uma homenagem a Leon Cooper,  professor de física de Brown que ganhou o Prêmio Nobel em 1972. Suas pesquisas foram pioneiras na criação de materiais supercondutores.

O que os cientistas descobriram agora é que os pares de Cooper são também capazes de transmitir parcialmente eletricidade; ou seja, podem se comportar de maneira mista: nem totalmente condutores, nem totalmente isolantes. Essa característica, que não seria previsível nos modelos teóricos, comprovou aos cientistas que eles estavam diante de um novo estado da matéria, ainda não descrito anteriormente.

 

Futuras aplicações tecnológicas

“A comunidade científica e os entusiastas da tecnologia estão comemorando essa descoberta, que em alguns anos pode representar uma verdadeira revolução nos equipamentos eletrônicos”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. Segundo Halpern, ainda é cedo para prever quais serão as aplicações dessa descoberta, principalmente porque ela vai exigir uma readequação das matrizes de saberes utilizadas até hoje. No entanto, uma característica que anima os pesquisadores, é que o efeito começa a uma temperatura relativamente elevada (para os padrões da supercondutividade, claro), algo em torno de 181 graus celsius negativos. Para esse gradiente já existem equipamentos capazes de realizar estudos e medidas precisas, facilitando a explicação do fenômeno a médio prazo.

Com informações: Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP); Science; Brown University; Phys.