Cientistas desvendam “twitts” das células

Uma equipe de pesquisadores do VIB-UGent Center for Plant Systems Biology, sediado em Gent, na Bélgica, acaba de anunciar um método revolucionário para decifrar como as células do corpo se comunicam entre elas, abrindo a possibilidade de uma série de tratamentos para doenças degenerativas, como o câncer. O artigo foi publicado na Nature, a mais importante do mundo nessa área. Especialistas fazem uma comparação dessa descoberta com a decifração de um sistema de interação, como o twitter. Seria possível assim identificar as mensagens que estão sendo trocadas nos microambientes celulares.

O método foi batizado NicheNet, e se baseia em técnicas de machine learning e estatísticas, incluindo algoritmos que também são usados para analisar redes sociais. Os muitos conhecimentos adquiridos sobre comunicação de células ao longo das últimas décadas foram coligidos em modelos analisáveis por Inteligência Artificial (AI) e que produzem um grau confiável de previsão. O conhecimento aplicado em conjuntos de dados complexos realiza previsões sobre comunicação intercelular, que exigiria semanas de estudos no tempo, em poucos segundos.

“Estamos dando apenas os primeiros passos na aplicação de Inteligência Artificial em sistemas biológicos, e a nova fronteira da medicina aberta com essas técnicas vai produzir resultados revolucionários em pouco tempo”, acredita o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. Para ele, as abordagens que utilizam dados já estudados, mas muito intrincados e complexos, uma vez apoiadas por AI farão sínteses mais rápidas e eficientes. “É como se pudéssemos de repente acessar vastas bibliotecas de informações de uma só vez, traduzindo conhecimento para resultados práticos”, completa.

 

Hackeando tumores

Nos organismos multicelulares, as células não funcionam por si só, mas produzem moléculas de sinalização que influenciam a expressão gênica nas células em interação. Essa comunicação intercelular desempenha um papel importante em muitos processos biológicos. Interações entre células cancerígenas e outras sadias no microambiente do tumor são cruciais para o seu crescimento. Os pesquisadores agora estão tentando descobrir, além do seu processo natural de comunicação, também como os tumores reagem aos tratamentos, “hackeando” os “twitts” que as células trocam entre si quando submetidas, por exemplo, a quimioterapias.

 

Com informações:  VIB-UGent Center for Plant Systems Biology; Nature; Phys.