Cientistas divulgam o mais preciso mapa em 3D da Via Láctea já produzido

A Via Láctea também pode ser chamada de “lar”. Habitamos uma galáxia em forma aproximada de espiral com 100 mil anos luz de diâmetro de disco, com algo entre 200 e 400 bilhões de estrelas como no nosso Sol. Apesar de sermos parte deste impressionante conjunto, e da ciência ter avançado muito em conhecimento sobre ele nos últimos anos, várias de suas características permanecem misteriosas. Mas um passo extremamente importante foi dado na última semana com a publicação, na revista Science, uma das mais importantes da pesquisa internacional, de um mapa em três dimensões da Via Láctea. Esse é um modelo muito mais confiável do que todos os que já haviam sido tentados, e foi produzido por cientistas da Universidade de Varsóvia, na Polônia.

Para criar o novo mapa, os pesquisadores usaram dados do Optical Gravitational Lensing Experiment – um projeto de levantamento do céu noturno de longo prazo. Mais especificamente, os pesquisadores queriam dados sobre as cefeidas, que são um tipo único de estrela pulsante muito regular e brilhante. Com isso, elas serviram como “balizas” para as medições, calculando-se a distância de cada uma delas para a Terra e delas entre si. Foram coletados dados de 2.431 cefeidas durante seis anos, depois analisados em conjunto. Dessa forma os pesquisadores conseguiram produzir uma representação em 3D da Via Láctea. Estudando o modelo, eles puderam observar que a Via Láctea está longe de ser plana, e fica mais curvada quanto mais longe do Sol, provavelmente por causa da interação com outras galáxias, matéria escura ou gás intergalático. Bordas retorcidas e irregulares indicam que ela é muito mais instável do que se acreditava anteriormente. Além disso, os pesquisadores notaram também que as cefeidas aparecem em grupos, sugerindo que elas se formaram quase ao mesmo tempo.

“A pesquisa astronômica é uma base importante para a criação de uma matriz de conhecimento que, no futuro, pode gerar o desenvolvimento de novas tecnologias”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. “Além disso, temos que lembrar que nossas comunicações hoje dependem basicamente de redes de satélites globais, e quanto mais soubermos sobre nossa galáxia, mais poderemos avançar em precisão e segurança”, completa.

A estrela mais rápida da galáxia

Enquanto os cientistas poloneses desfrutam do merecido reconhecimento por sua pesquisa, novas observações quase diárias vão trazendo mais dados sobre a Via Láctea, alguns deles muito curiosos. Também na última semana, um grupo de cientista do Aryabhatta Institute of Observational Sciences (ARIES), da Índia conseguiu registrar de uma única vez 28 novas estrelas em uma pequena porção do sistema. Mas a descoberta mais surpreendente coube a um time da Macquarie University, da Austrália, que relatou no dia 1 de agosto a observação de uma estrela ultrarrápida, a uma distância de 29 mil anos luz da Terra, com certa de 2,5 vezes o tamanho do Sol, viajando a 1.700 quilômetros por segundo. Ela foi ejetada do centro da Via Láctea por motivos ainda desconhecidos, e a impulsão acelerou sua trajetória, tornou-a o corpo celeste mais veloz já registrado.