Cientistas estudam clima em lua de Saturno para entender a Terra

Titã é uma lua de Saturno com características muito peculiares. O maior satélite daquele planeta, com tamanho um pouco menor que a metade da Terra, tem uma atmosfera composta principalmente de nitrogênio, justamente como a nossa. Nele há nuvens, ventos, chuvas, lagos e oceanos – embora em vez de água sejam compostos por metano e etano. Além disso, há variações climáticas, invernos e verões, nas metades norte e sul do satélite.

“Esses fatores tornam Titã um ‘laboratório natural’ para simularmos condições climáticas no nosso próprio planeta”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.“ Com os avanços em equipamentos de observação, mas sobretudo nas tecnologias de Inteligência Artificial, temos quadros cada vez mais claros do que ocorre fora da Terra, e isso nos ajuda a entender as mudanças que estão acontecendo por aqui”, diz ainda.

Um recente artigo publicado na revista Geophysical Research Letters explicou o “desequilíbrio energético” de Titã. A pesquisa foi desenvolvida por especialistas do Departamento de Ciências da Terra e da Atmosfera da Univerisdade de Houston, no Texas, do Centro de Vôo Espacial Goddard e do Jet Propulsion Laboratory do Instituto de Tecnologia da Califórnia, ambos da NASA.

Os cientistas estudaram dados coletados pela missão espacial Cassini e chegaram à conclusão de que tanto a energia solar absorvida, quanto a energia térmica emitida pelo corpo celeste diminuiram ao longo dos 14 anos estudados. No entanto, isso ocorreu de maneira desequilibrada: as emissões térmicas caíram 6,8% e a energia solar absorvida caiu 18,6%.

Mudanças climáticas na Terra

Esse tipo de estudo em ambientes extraterrenos ajuda a entender o que pode ocorrer com a Terra numa escala que não seria possível reproduzir por aqui. Um dos principais desafios para os especialistas é criar previsões confiáveis a respeito de variações climáticas. Os dados são tão intrincados e complexos que, mesmo usando os supercomputadores mais potentes, os modelos ainda deixam margens para muitas dúvidas. A observação prática de um corpo celeste que guarda algumas semelhanças com a Terra pode ser a saída para este impasse, ajudando na compreensão de como acontece a troca de calor com o espaço sideral, tornando assim as previsões mais sofisticadas.

Com informações:  Geophysical Research Letters;  Univerisdade de Houston;  NASA; Wikipedia; Phys.