Cientistas identificam genes responsáveis por doenças cardíacas

Uma pesquisa conseguiu identificar os genes responsáveis por causar doenças cardíacas. A descoberta abre caminho para um campo totalmente novo de terapias para aqueles que têm risco de desenvolver esses problemas. As doenças cardiovasculares são responsáveis pelo maior número de mortes no mundo. No Brasil, vitimaram mais de 230 mil pessoas no ano passado.

Ao identificar os genes, os cientistas conseguiram também descobrir em quais órgãos ou partes do organismo eles causam efeitos. Eles podem, por exemplo, se manifestar nas próprias artérias do coração, bloqueando-as, agir no fígado, aumentando os níveis de colesterol, ou no sangue.

O passo seguinte foi classificar os 162 genes de acordo com o nível de risco ou probabilidade para causar doenças. Segundo os especialistas, alguns deles nunca haviam sido relacionados a problemas cardíacos até hoje.

A pesquisa envolveu cientistas do Victor Chang Cardiac Research Institute, da Austrália, do The Kovacic Laboratory Cardiovascular Research Institute, da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, nos Estados Unidos, e de outros centros de pesquisa cardiovasculares dos Estados Unidos e da Europa. Os resultados foram publicados na revista Circulation: Genomic and Precision Medicine, da American Heart Association, com o título: Integrative Prioritization of Causal Genes for Coronary Artery Disease.

Juntos, eles analisaram 600 pacientes com doenças coronarianas e 150 sem doenças, que foram submetidos a cirurgias para revascularização do miocárdio ou indicações clínicas similares. Os dados sobre milhares de genes foram coletados, processados e analisados num supercomputador do laboratório da Icahn School.

A análise confirmou o gene Phatr1, o qual os cientistas já suspeitavam ter relação com o aparecimento de doenças coronarianas, além de outras doenças vasculares, como um dos principais causadores de problemas cardíacos.

Os resultados da pesquisa servirão também para aprimorar os testes genéticos como forma de rastrear o risco de doenças cardíacas. Eles foram bem recebidos por cardiologistas em vários países. “Saber quais genes causam ataques cardíacos contribuirá para o desenvolvimento de novos medicamentos e terapias, o que certamente ajudará a preservar muitas vidas”, afirma Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.