Cingapura distribui tokens de rastreamento da covid-19

Cingapura é um país pequeno, com 716 quilômetros quadrados, mas densamente povoado. Nessa cidade-estado moram perto de 6 milhões de habitantes, e ela funciona basicamente como um entreposto comercial do Pacífico. As exportações e importações do país representam nada menos do que 320% do seu PIB. Se há muita gente em pouco espaço, e o contato com o exterior é constante, evidentemente essas são condições críticas para a disseminação de uma doença contagiosa como o novo coronavírus.

No entanto, Cingapura é também uma das nações mais tecnológicas do planeta, e conta com isso para manter a doença sob controle. Sua conexão de banda larga é a mais rápida existente, com média de inacreditáveis 170 mbps. Os residentes locais atualmente fazem um check-in em lojas e prédios de escritórios usando um sistema SafeEntry com um aplicativo que pode ser baixado em smartphones. Eles usam QR codes para registrar a presença dos usuários. Desde então, cerca de 2,4 milhões de pessoas baixaram o aplicativo. Graças ao trabalho das autoridades e à adesão da população, esse método permitiu que fossem registradas apenas 27 mortes causadas por complicações da covid-19 até agora no país.

Esta semana, o governo local começa a distribuir gratuitamente à população um token capaz de emitir sinais de Bluetooth e rastrear todos os contatos próximos de quem o carrega, verificando automaticamente se o portador esteve em contato com algum infectado, e, assim, deve permanecer em observação, afastado do convívio social. O token vai usar o aplicativo que já está disponível, mas com algumas vantagens. A primeira delas é ser massivamente distribuído para a população, inclusive entre idosos que pertencem ao grupo de risco e, por vezes, têm mais dificuldades em lidar com os smartphones. “Além disso, a questão da segurança dos dados fica melhor dimensionada, já que o token é um gadget especializado, que será usado apenas enquanto durar a pandemia, podendo ser descartado ou destruído depois, e, mesmo que as autoridades garantam a segurança do aplicativo, a população tende a confiar mais nesse suporte físico”, avalia o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. Para ele, vencer os obstáculos culturais para a massificação de soluções, como nesse caso, é tão importante quanto achar novas tecnologias.

Outros países

No Reino Unido, um aplicativo do mesmo tipo está sendo prometido para o mesmo mês, abrangendo por hora a Inglaterra e o País de Gales. Enquanto isso, na Austrália, as autoridades iniciaram testes com os sistemas de segurança.

Com informações: BBC Tech; Vivo; Governo de Cingapura; Governo da Austrália; Governo do Reino Unido.