Competitividade digital será vital na retomada pós-covid

Para além de tudo o que aprendemos, em tempo recorde, ao sermos surpreendidos pelo surgimento da covid-19, a pandemia nos mostrou o quanto a digitalização contribui para a resiliência. A capacidade e a rapidez com que cada economia respondeu à ruptura e às mudanças provocadas pela pandemia em nossas rotinas serão também determinantes no processo de retomada.

Por isso, a quarta edição do Ranking Global de Competitividade Digital, recentemente divulgado pela escola de negócios suíça IMD, merece ainda mais atenção este ano. Ele avalia a capacidade e a prontidão de 63 países para explorar e adotar tecnologias digitais no governo, nos negócios e na sociedade como um todo, como motor para o crescimento econômico.

A análise considera três pilares: conhecimento ou talento digital (expertise para descobrir, compreender e desenvolver novas tecnologias); infraestrutura tecnológica (condições para desenvolvimento de tecnologias digitais) e prontidão (capacidade e agilidade para usar novas tecnologias e usufruir de resultados). Dados e entrevistas utilizados na análise foram coletados entre fevereiro e março deste ano, portanto, nesta edição contempla os efeitos da covid-19.

Brasil avança seis posições

As primeiras colocações se mantêm praticamente as mesmas nas últimas edições. Os Estados Unidos lideram o ranking, seguidos por Singapura, mantendo as posições que ocuparam nas duas edições anteriores, realizadas em 2018 e 2019. A Dinamarca passou do quarto lugar (2018 e 2019) para o terceiro, invertendo a classificação com a Suécia.

O Brasil avançou seis posições, ocupando o 51º lugar entre os 83 países que compõem o ranking. Os resultados indicam melhora no desempenho do País no que a pesquisa define como concentração científica, em aspectos como a participação de mulheres em pesquisas, a produtividade de P&D por publicação e o uso de robôs na educação e P&D.

Porém, revelam não apenas piora, mas uma situação crítica no que diz respeito ao pilar de conhecimento, especialmente nas competências tecnológicas e digitais e no treinamento de profissionais. É o país com a segunda maior carência de mão-de-obra digital no universo pesquisado, à frente apenas da Venezuela.

O processo de digitalização não acontece do dia para a noite, é resultado de estratégias de longo-prazo, investimento e desenvolvimento de competências tanto no setor público, quanto no privado. O Brasil tem uma lição de casa a ser feita com total prioridade e empenho e cuja falta será sentida já na velocidade de recuperação no pós-pandemia.

No ranking do IMD, os Estados Unidos se destacam pela ênfase em educação e P&D. O país é reconhecido por incorporar o digital, cada vez mais, na educação. Singapura ficou em primeiro lugar nos indicadores de estrutura regulatória e a Dinamarca na pontuação relativa à capacidade de adaptação e agilidade em usufruir das vantagens das novas tecnologias.

A principal lição dos resultados do ranking é que a competitividade digital não é um jogo em que um ganha e outro perde, mas um caminho para o desenvolvimento em que um país se beneficia com a evolução do outro.