Comunique-se: tecnologia ajuda a aprender novos idiomas

No mundo globalizado, uma das condições fundamentais para conseguir boa colocação profissional é dominar outros idiomas. Na União Europeia, por exemplo, crianças têm contato com outros idiomas desde cedo: a partir dos seis anos de idade. Segundo um estudo da Eurostat, 92% dos estudantes estão aprendendo uma segunda língua na escola. Além disso, a maioria dos países tem vizinhos que falam diferentes línguas – o que serve de estímulo ao aprendizado.

 

No Brasil a realidade é bem diferente. Embora algumas palavras do inglês façam parte do dia a dia de adultos e crianças, a habilidade de se comunicar nesse idioma é para poucos. Segundo ranking elaborado pela EF Education First, o Brasil ocupa a 53ª colocação de um ranking de 70 no domínio do inglês. Ainda de acordo com o estudo, apenas 5% da população brasileira fala uma segunda língua e menos de 3% têm fluência no inglês.

O ensino deficitário de outros idiomas em escolas públicas ou mesmo particulares é um dos principais motivos pelo qual países em desenvolvimento possuem poucos cidadãos bilíngues, mas a tecnologia veio para mudar esse panorama. Hoje, uma infinidade de apps e sites dedicados ao ensino de idiomas disponibilizam, em todo o mundo, aulas gratuitas ou pagas, com professores ou falantes nativos de diferentes nacionalidades.

Apps

Totalmente gratuito e similar a um jogo para celular, o aplicativo Duolingo é o mais famoso e possui um total de 23 idiomas cadastrados. As aulas são apresentadas no formato de pequenos desafios que incluem perguntas de múltipla escolha, reconhecimento de imagens e de sons, além de conversação. Na medida em que o aluno faz as lições, vai ganhando pontos e medalhas por cada módulo completado. Com o passar do tempo, caso o aluno deixe de treinar a língua, as conquistas vão se “apagando”, sinalizando que a aula deve ser refeita ou praticada para voltar à condição anterior. Todo o progresso com o idioma pode ser adicionado diretamente ao LinkedIn do usuário.

Outro aplicativo muito difundido é o Babbel, que permite ao aluno fazer o download de aulas de conversação. Com opções de aulas gratuitas e pagas, é possível escolher apenas os módulos que deseja aprender (animais, profissões, etc). Todas as aulas focam na pronúncia e o aplicativo possui um sistema de reconhecimento de voz para avaliar o nível de fluência do participante. A possibilidade de baixar as aulas permite que a lição seja feita mesmo quando não há conexão com a internet.

O Brasil também possui um app para o ensino de idiomas, mas se engana quem acha que as aulas são de inglês ou espanhol. O Librazuka, inventado por estudantes de Ciências e Computação da Universidade São Judas, ensina a linguagem de sinais. O aplicativo apresenta módulos teóricos (alfabeto, números e gramática) e opções que envolvem realidade aumentada. Ao posicionar a câmera do celular sobre uma imagem, exibe uma pequena animação com o sinal de Libras correspondente à imagem. Além da representação em forma de desenho de todas as palavras ensinadas, há explicações sobre o correto posicionamento das mãos, ponto de articulação etc.

Redes sociais

Para aqueles que já estão estudando outros idiomas, de forma independente ou não, também existem plataformas para trocar conhecimentos e esclarecer duvidas. A HiNative é uma rede social para interação com pessoas fluentes no idioma que se deseja aprender. A plataforma permite que o aluno converse diretamente com falantes nativos do idioma escolhido, através de questionários pré-definidos. Perguntas do tipo “como se diz isto?” “isto soa natural?” “qual é a diferença entre isso e aquilo” podem ser enviadas para pessoas de nacionalidade diferentes para aprimorar o idioma e tirar dúvidas pontuais.

Por mais que a maioria desses aplicativos não prometam que o usuário irá dominar 100% de outro idioma, sua mera existência democratiza o contato com línguas diferentes. Para muitos, poderá ser o primeiro ou o único contato com outras culturas. Assim como em aulas presenciais, com professores, a eficácia do ensino irá depender da vontade do aluno de buscar conteúdo extra e se aprofundar cada vez mais no idioma.


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