Conheça o metacommerce, o próximo nível do e-commerce

Metaverso, a palavra do momento, foi uma das mais repetidas durante o maior fórum global de varejo, a NRF 2022. O evento, realizado pela National Retail Federation, é conhecido por apresentar novas tecnologias e tendências para o setor.

As mudanças disruptivas no comportamento dos consumidores, intensificada pelos efeitos da pandemia da Covid-19, colocaram na berlinda o conceito de digital e online, assim como os modelos e práticas. As tecnologias, tanto as existentes quanto as emergentes, desempenham papel cada vez mais fundamental na experiência de compra.

Estamos entrando no próximo nível do e-commerce, o metacommerce. Segundo os especialistas, ele é resultado da fragmentação dos atuais modelos, com o surgimento do social selling, do live streaming e de diversas formas de compra fora das lojas físicas e do e-commerce tradicional.

Nike e Ralph Lauren já arregaçaram as mangas. A marca de roupas americana está desenvolvendo vestimentas no metaverso para serem experimentadas pelos clientes no ambiente virtual, antes de chegarem às lojas.

A fabricante criou a Nikeland, uma área na plataforma de jogos Roblox, em que os clientes podem criar seu avatar e praticar esportes em um espaço virtual. A Nike anunciou ainda irá vender tênis virtuais que as pessoas podem usar para equipar seus avatares online.

Um ponto essencial para criar um verdadeiro metaverso e tornar viável o metacommerce é possibilitar que avatares e outros produtos digitais possam circular entre os diversos ecossistemas. Segundo a estimativa da consultoria  Strategy Analytics, as transações no metaverso devem atingir US$ 6,1 bilhões ainda este ano.

Lives para venda ao vivo

Outra tendência apontada na NRF 2022 é o live streaming, a venda de produtos por meio de lives ou vídeos interativos em tempo real. O formato foi criado há alguns anos na China para impulsionar as vendas no Dia dos Solteiros (equivalente à Black Friday na China) e vem ganhando terreno em outros países. No live streaming, o varejista organiza uma live e um influenciador ou celebridade anuncia o produto, ao vivo, tirando dúvidas e respondendo perguntas dos consumidores. Com um crescimento vertiginoso, esse formato de venda deve superar US$ 400 bilhões este ano, de acordo com a McKinsey.

Além das tendências de novos canais e formatos, a NRF apresentou outras inovações tecnológicas para o futuro do varejo, como câmeras que identificam a fruta ou verdura escolhida pelo cliente, pesam e imprimem a etiqueta com o preço, sensores que medem a temperatura e a umidade do ambiente e indicam se um refrigerador está aberto ou se o ar-condicionado está ligado, e um robô que percorre a loja fazendo inventário do estoque e, ao mesmo tempo, limpa o piso.

“A tecnologia será o principal catalisador para o próximo nível na experiência do cliente, seja por meio da combinação de experiências ou de um excelente atendimento, orientado por dados”, afirma Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. “E os recursos não se restringem a melhorar a experiência do cliente, eles servem também para facilitar e melhorar o trabalho dos funcionários”, completa.