Consequências invisíveis do aquecimento global em imagens

Muito se tem falado sobre as consequências do aquecimento global nas mais diversas áreas e aspectos da vida. Mas há consequências importantes relativas às mudanças climáticas que a maioria das pessoas nem sequer supõe.

No recém-lançado Atlas do Invisível (Atlas of the Invisible, no original em inglês), a dupla formada pelo geógrafo James Cheshire e pelo designer Oliver Uberti revela consequências preocupantes e ainda desconhecidas dos efeitos do aumento da temperatura global. Na verdade, eles vão além, redefinindo o significado de um Atlas. São fenômenos imperceptíveis aos olhos, mas que se tornam visíveis a partir da compilação e análise de uma enorme quantidade de dados coletados e convertidos em imagens, desenhos e outras representações gráficas que evidenciam as mudanças.

Voos turbulentos

Um dos riscos invisíveis são as turbulências causadas por fluxos de ar que estão se tornando mais erráticos por causa do aumento da temperatura. Invisíveis a olho nu, mesmo para o olhar treinado dos pilotos, e também não perceptíveis por instrumentos de bordo, eles representam um risco adicional para voos.

Altas temperaturas

Em outro capítulo, o Atlas mostra uma imagem com variações de temperatura nos últimos 120 anos, de 1890 a 2019. A sequência de pequenos quadrados coloridos revela um padrão alarmante e crescente de tons quentes, especialmente no último século. Olhando a imagem percebe-se que o período mais quente foi a partir de 2005.

Gelo derretido

Na imagem que mostra a mudança nos glaciares da Groenlândia há cerca de 100 geleiras que se desdobram a partir de uma crista central. Nela, as cores mais quentes indicam movimento de degelo mais rápido. A Groenlândia tem cerca de 5.000 gigatoneladas a menos de gelo do que há 20 anos. Segundo Cheshire, parte do problema é que, uma vez que o derretimento começa, é difícil interrompê-lo. Poças de água formadas pelo gelo derretido infiltram-se nas geleiras, amolecendo sua base, o que, por sua vez, acelera o deslizamento.

Tormentas nos oceanos

O excesso de calor provocado pelas emissões de gases de efeito estufa e absorvidos pelos oceanos faz com que as temperaturas da superfície do mar aumentem rapidamente. Em 2019, as águas do Ártico excederam sua média histórica em 7ºC. A água mais quente bombeia mais umidade no ar e altera as correntes atmosféricas, causando tempestades maiores, mais fortes, mais lentas e mais úmidas. O número de ciclones tropicais em todo o mundo também aumentou, com muitas das tempestades mais severas ocorrendo desde 2005.

Desde 2017, a ferramenta de monitoramento troposférico da Agência Espacial Europeia (Tropomi) fornece leituras diárias da concentração global de dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e dos níveis de partículas na atmosfera. O Atlas do Invisível mostra plumas de dióxido de nitrogênio na região do norte da Europa, em um dos dias mais quentes de 2019.

Ao compilar uma quantidade enorme de dados de origens tão distintas que vão de cabos submarinos a torres de celular, o Atlas nos alerta sobre o quanto ainda precisamos saber a respeito das consequência das mudanças climáticas e da necessidade urgente de reduzir o aquecimento global.