Contato das crianças com tecnologia é saudável, mas deve ser mediado pelos pais

O Reino Unido realiza pesquisas anuais sobre o uso de tecnologia, e o último boletim, divulgado esta semana, informa que metade das crianças daquele país dorme com o smartphone ao lado da cama. O relatório Childwise indicou ainda que as crianças recebiam celulares mais cedo, com a maioria agora tendo seu próprio telefone aos sete anos de idade. O tempo médio gasto em celulares, das crianças e adolescentes, é de 3h20m por dia.

No Brasil, a situação não é muito diferente. No ano passado, foi feita uma pesquisa pelo Comitê Gestor da Internet (CGI) e pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação  (Cetic.br), na qual se verificou que 80% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usam a internet assiduamente, e que 83% deles estão conectados via smartphone.

Evidentemente, há uma série de benefícios no uso dos dispositivos conectados. Nunca houve na história da humanidade uma época com tanto acesso à informação e ao conhecimento, distribuído de maneira tão democrática, rápida e barata. As tecnologias de informação, quando bem usadas, são a base da transformação da sociedade em direção a um mundo mais integrado, cuja inteligência coletiva será capaz de contornar os problemas que hoje parecem insolúveis. E a nova geração já chega ao mundo nesse ambiente, pensando em termos digitais numa velocidade que sempre impressiona adultos que cresceram com informações analógicas.

De qualquer forma, no entanto, é sempre preciso moderação. O tempo de exposição na internet deve ser correspondente a etapas do desenvolvimento infantil, mesmo se falando em conteúdos adequados. O efeito de ansiedade, que toma conta de muitos adultos hiperconectados, não deve ser replicado para crianças e adolescentes que ainda estão em fase de formação. Sintomas como fobias, dificuldades para dormir, ou de concentração em tarefas mais longas são relatados por pais e educadores, que devem ficar alertas. A equação não é simples, e certamente não está nos extremos da liberação irrestrita ou da proibição total, mas da observação e do controle dos adultos para que o uso das redes mantenha-se como um agregador de qualidade de vida para os pequenos.

 

Com informações: BBC Tech; Childwise; Comitê Gestor da Internet; Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação.