Copa do Mundo de 2022 será uma das mais tecnológicas dos últimos anos

Nos últimos anos, a FIFA – Federação Internacional de Futebol – tem utilizado a tecnologia para auxiliar os árbitros a tomarem as decisões em campo. Entre as iniciativas mais recentes e conhecidas estão a tecnologia utilizada para confirmar se a bola passou pela linha do gol e também o VAR, ou arbitro de vídeo, ambos já utilizados no Brasil e em outros grandes centros do futebol. Neste ano, com a realização da Copa do Mundo no Catar, a entidade deve trazer mais uma novidade tecnológica que promete impactar o esporte: um detector automático de impedimento.

Por meio de sensores distribuídos no estádio, uma inteligência artificial alerta em tempo real a assistência de vídeo sobre o posicionamento irregular de um jogador. Por meio de 12 câmeras distribuídas em ambos os lados do estádio, a inteligência artificial configurada pela Hawk-eye, que é o provedor de serviços da FIFA responsável pelo VAR, seria possível identificar uma posição de impedimento de forma automática. Esta primeira experiência ao vivo deve acontecer previamente em seis estádios do Catar, justamente para se preparar para a Copa do Mundo.

Segundo informações do jornal inglês The Times, a tecnologia posta em prática pelo Hawk-eye rastreia o corpo de cada jogador em 29 pontos. Graças a essa modelagem esquelética, ela tem a possibilidade de identificar a parte do corpo que possivelmente estaria fora de jogo em apenas meio segundo.

A inteligência artificial também seria capaz de detectar o momento preciso em que a bola foi tocada, com o objetivo de auxiliar na decisão final. Ela transmite instantaneamente sua observação ao árbitro responsável pelo vídeo que, uma vez validado, dá seu veredito ao árbitro central.

Se você acompanha regularmente as notícias do futebol, provavelmente já ouviu falar desses detectores. Alguns grandes estádios europeus, como o Etihad Stadium (Manchester City – ENG), e o Allianz Arena (Bayern Munich – ALE) já estão equipados com essa tecnologia em caráter experimental, mas, por enquanto, não a utilizam em decisões arbitrais.

Como o trabalho manual é feito por um computador e não por um humano, a decisão não será tão instantânea quanto a tecnologia da linha de gol, mas deve ser muito mais rápida que do que é hoje em dia, o que deve eliminar parte da frustração causada por longas decisões do VAR, enquanto melhora a tomada de decisão geral dos árbitros.

Essa tecnologia de rastreamento de movimento não é nova, pois o basquete a utiliza há mais de vinte anos. No entanto, a tecnologia da imagem melhorou com câmeras 4K e 8K, que têm maior densidade de pixels, e a com a Inteligência Artificial.

Porém, entre os amantes do esporte, há quem critique o uso de tantas inovações, com a alegação de que a tecnologia no futebol e outros esportes pode tirar a graça do jogo. Por outro lado, há quem defenda que essa é uma forma de tornar o esporte mais justo, mitigando erros humanos na arbitragem.

Para Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas, “com a Inteligência Artificial cada vez mais poderosa e o aprimoramento do uso de tecnologia de rastreamento de movimento, dentro de um ano, dados e métricas de futebol que antes eram coletados manualmente poderão ser capturados diretamente de uma transmissão de futebol, ao vivo, sem a necessidade de usar outras câmeras no local”.