Covid-19 impulsiona ensaios clínicos com tecnologia de RNA mensageiro para tratamento de câncer e HIV

Um dos efeitos da pandemia da covid-19 é apontar novos caminhos para as questões de saúdeO desenvolvimento da vacina usando a tecnologia de ácido ribonucléicomensageiro (mRNA) foi uma conquista promissoraElfoi um avanço que deu início a uma nova era da medicina, que pode ser usada contra várias outras doenças. Cientistas já estudam seu uso para tratar doenças como câncer e HIV.

Embora as vacinas contra covid-19 sejam as primeiras a usar mRNA aprovadas para uso humano, elas já existiam há mais de duas décadasPesquisadores franceses já haviam usado RNA para codificar um antígeno da gripe em camundongos, mas a pesquisa não avançou. Com o interesse de governos e instituições internacionais no combate à Sars-Cov-2, os estudos avançaram rapidamente.

As vacinas de mRNA teoricamente podem ser programadas para combater as células cancerosas de um paciente, o que significa a possibilidade de criar terapias personalizadas. Isso é possível porque as células cancerosas têm proteínas únicas em sua superfície, e as vacinas de mRNA podem ser programadas para que essas proteínas exatas gerem anticorpos. Dessa forma, os médicos esperam preparar o sistema imunológico do paciente para reconhecer o câncer e combatê-lo. Na verdade, cerca de um ano antes de começar a ser testada para uso contra covid-19, a vacina com mRNA já era testada em um ensaio clínico para combater células cancerosas.

Outra área que está registrando avanço significativo é a pesquisa de tratamentos para HIV 

Pesquisadores da Scripps University, na Califórnia, desenvolveram uma vacina preliminar para prevenção de infecções por HIV. O objetivo da vacina é estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos que se ligam à proteína spike do HIV as neutralizando.

Dengue, zika, hepatite C e malária 

Câncer e HIV não são as únicas doenças que podem ser combatidas com essa nova tecnologia. Ela pode ser usada também para melhorar a eficácia das vacinas já existentes, como a da gripe, por exemplo. A cada ano, é preciso desenvolver formulações para combater as novas cepas da gripe. E como as vacinas baseadas em mRNA podem ser fabricadas muito mais rapidamente, elas podem ser mais eficientes para as ondas sazonais ou até mesmo eliminar a necessidade de doses anuais. Elas estão também no centro de estudos para combater outras doenças, incluindo dengue, zika, hepatite C e malária.

“Apesar das grandes expectativas, os pesquisadores têm um longo caminho pela frente, já que quaisquer futuras vacinas de mRNA ainda estão nas fases iniciais de desenvolvimento“, diz Arie Halpern, economista especialista em tecnologias disruptivas.