Crew Dragon chega à Estação Espacial Internacional

A nave Dragon Crew chegou à Estação Espacial Internacional (ISS) no último domingo, após 19 horas de voo. Dois astronautas da NASA, a agência espacial americana, estavam a bordo: Douglas Hurley e Robert Behnken. A primeira viagem espacial tripulada feita pelos Estados Unidos desde 2011, além de recolocar o país na vanguarda do setor espacial, é um marco do ponto de vista econômico: pela primeira vez, uma empresa privada assume o papel de enviar pessoas ao espaço. “Esse é um aspecto importante, pois abre novas possibilidades de empreendedorismo e inovação”, destaca Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Desde que decidiu aposentar seus ônibus espaciais, há mais de 10 anos, a NASA vem desembolsando milhões de dólares por assento para transportar seus astronautas até a Estação Espacial. As idas e vindas são operadas pela espaçonave russa Soyuz, lançada no Cazaquistão. Em 2005, o diretor da agência anunciou o programa Commercial Crew, abrindo oportunidades comerciais a empresas interessadas em transportar carga e pessoas para o espaço. Várias empresas se candidataram ao projeto e duas foras escolhidas: SpaceX e Boeing.

Transporte espacial privado

A Boeing ainda trabalha no desenvolvimento de sua espaçonave, a (CST)-100 Starliner, cujos últimos testes, realizados em dezembro de 2019, não obtiveram o sucesso esperado. A nave foi lançada no espaço pelo foguete Atlas V, fabricado pela United Launch Alliance, mas não conseguiu chegar até a Estação Espacial. Não havia tripulação, pois o vôo era experimental.

A Dragon Crew, por sua vez, vem cumprindo suas promessas – embora com o calendário um pouco mais lento do que se esperava. No ano passado, uma nave similar à Crew Dragon explodiu durante os testes, mas o protótipo foi aperfeiçoado. A espaçonave foi criada pela SpaceX, de Elon Musk, e foi lançada pelo foguete Falcon 9, da mesma empresa. A SpaceX já realizou entregas de carga à Estação Espacial, mas está é a primeira vez que transporta passageiros – a viagem será considerada um sucesso somente após o retorno seguro dos astronautas à Terra, em alguns meses.

Caso os projetos da Boeing e da SpaceX sejam bem-sucedidos, elas poderão comercializar seus serviços, vendendo assentos em viagens espaciais para agências de outros países, empresas ou pessoas interessadas em dar uma voltinha fora da nossa atmosfera.