CubeSat: a miniatura de satélite com funções tão diversas quanto combater o desmatamento e consertar pás eólicas

Criados há duas décadas para uso em pesquisas e atividades práticas acadêmicas de exploração científica do espaço, o CubeSat ganhou terreno rapidamente e se transformou em uma das mais poderosas tecnologias. É uma miniatura de satélite feita com múltiplos módulos que medem 10 cm x 10 cm x 10 cm e massa de pouco mais de um quilo.

O satélite cubo foi desenvolvido no fim da década de 1990, por uma equipe de cientistas da California Polytechnic State University (Cal Poly) e da Universidade Stanford. Inicialmente, era usado em trabalhos acadêmicos e na comunicação por radioamador. Com processo de produção mais rápida e barata e lançamento mais simples do que os satélites convencionais, rapidamente ganhou novas utilidades e passou a ser adotado por empresas, como a fabricante de aviões Boeing.

Atualmente, há centenas de CubeSats orbitando a Terra, produzidos por universidades, startups e governos. Alguns dos projetos de destaque, nos quais o CubeSat está fazendo a diferença são:

Combate ao desmatamento

Por meio de uma parceria entre o governo da Noruega e a empresa de monitoramento por satélite Planet, uma constelação de 180 CubeSats em órbita detectam remotamente áreas em que ocorre desmatamento em 64 países. Dotados de câmeras com resolução de 3 metros por pixel, eles registram imagens continuamente e oferecem suporte para que o governo norueguês avalie a concessão de fundos para preservação de florestas tropicais.

Rastreamento de animais em extinção

Lançado por um grupo de estudantes da Itália e do Quênia, o WildtrackCube-Simba monitora pássaros e mamíferos no Parque Nacional do Quênia. O objetivo é evitar que animais selvagens ultrapassem os limites do parque e danifiquem plantações e propriedades no entorno. Além de alertas e medidas para impedir que eles cheguem às aldeias, o monitoramento será usado também para proteger os animais da caça ilegal.

Combate à escravidão moderna

No Reino Unido, o Rights Lab da Nottingham University usa as imagens de satélite para identificar a prática de trabalho forçado. Recentemente, elas serviram para mapear acampamentos improvisados ​​de catadores de frutas de Bangladesh, em fazendas na Grécia, atividade que já vitimou catadores, baleados por fazendeiros. Ao detectar os acampamentos, voluntários de uma ONG entram em ação para encontrar uma solução.

Coletar o lixo espacial

Em suas viagens ao redor da Terra, as missões rastreiam cerca de 30.000 pedaços de lixo espacial, que vão de satélites extintos a partes e destroços de foguetes. Além desses, há muitos outros detritos que, embora sejam difíceis de rastrear por serem pequenos, representam riscos para satélites e veículos espaciais. Os CubeSats estão sendo testados para capturar objetos em alta velocidade no espaço.

Conserto de turbinas eólicas

A empresa australiana Ping Services criou um sensor que monitora o ruído das turbinas eólicas para detectar problemas, como uma lâmina danificada, e emitir um alerta para o operador que, usando a rede CubeSat faz o conserto rapidamente. Eles podem até ser usados ​​para tornar a energia renovável mais eficiente. As turbinas eólicas geralmente são visitadas duas vezes por ano para manutenção, portanto, se uma lâmina estiver danificada, pode levar meses até que ela seja descoberta e consertada.

Explorar o espaço profundo

Enquanto a maioria dos CubeSats é voltado para a Terra, alguns estão sendo apontados para as estrelas. Em 2018, a Agência Espacial Americana – Nasa lançou o primeiro CubeSats no espaço profundo. MarCO-A e B retransmitiram informações vitais do Insight Lander enquanto ele descia em direção à Marte. Em breve, a Nasa lançará mais 10 CubeSats em seu foguete Artemis 1. As missões incluem testar os efeitos da radiação do espaço profundo em um organismo vivo e estudar depósitos de água no polo sul lunar.

“O uso do CubeSat vem se expandindo rapidamente em uma diversidade de áreas, que vão desde fazendeiros que usam sensores para monitorar o nível de água nos cochos dos animais até as aplicações extremamente sofisticadas no espaço, passando pela internet das coisas para conectar e controlar objetos em locais remotos”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.