Departamentos de física e química da USP restauram tela “Independência ou Morte”

A tela “Independência ou Morte”, pintada no final do século 19 por Pedro Américo (1843-1905), é um dos maiores ícones da nacionalidade brasileira. O quadro, reproduzido em livros didáticos que foram estudados por gerações, retrata o momento no qual o então Príncipe Regente, D. Pedro de Alcântara, às marges do riacho Ipiranga, em São Paulo, se autoproclama o Imperador D. Pedro I, e torna Brasil independente de Portugal. Os historiadores profissionais afirmam que a cena pode não ter sido assim tão glamourosa, mas isso não importa: a formação das identidades nacionais cria as representações que as sustentam.

De qualquer forma, a importância histórica da obra é indiscutível. Desde o primeiro momento em que foi exposta, ela está abrigada no Salão Nobre do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, conhecido como Museu do Ipiranga, erguido no local onde ocorreu o “Grito”. No entanto, o tempo passa até mesmo para os museus, e o prédio que abriga este importante acervo está fechado para visitação desde 2013, porque ameaçava ruir. Os reparos só começaram no ano passado e a meta é voltar abri-lo em 2022 para comemorar o bicentenário da independência.

“Independência ou Morte” não estava em seu melhor estado, e um minucioso trabalho de restauro está sendo feito, com supervisão artística, mas também com uso intensivo de tecnologia, com o envolvimento de pesquisadores das faculdades de Física e de Química da USP, e patrocínio da Fapesp. Entre os métodos empregados estão imageamento por reflectografia de infravermelho, espectroscopia por fluorescência de raios X e espectroscopia Raman.

Traços originais

A imagem em infravermelho permite visualizar os traços originais que Pedro Américo recobriu depois com camadas de tinta. As técnicas espectroscópicas possibilitam determinar a paleta de cores e sugerir os pigmentos usados originalmente pelo artista. Nesse caso, a radiação é emitida sobre a pintura e as áreas irradiadas respondem reemitindo também raios X, em diferentes comprimentos de onda. Os raios reemitidos dependem dos elementos químicos presentes em cada área da tela.

 

Com informações: Agência Fapesp; Instituto de Química da USP; Instituto de Física da USP; Museu Paulista da Universidade de São Paulo; G1.