Disputa em Londres expõe resistência corporativa ao Uber

A Justiça da Inglaterra pode suspender a concessão para que o aplicativo de transporte Uber, o mais popular do mundo, opere na cidade de Londres. A capital do Reino Unido é o principal mercado da empresa, onde trabalham cerca de 45 mil motoristas cadastrados. Há pouco mais de um ano, uma decisão judicial deu um prazo para que o aplicativo se adaptasse a normas de segurança compatíveis com o serviço local de táxi. A decisão definitiva deve ser tomada nos próximos dias, e está sendo considerada por especialistas como um marco – positivo ou negativo – para os serviços de aplicativos, seja nos transportes ou em outros nichos de mercado.

Os táxis londrinos são um dos serviços mais tradicionais do mundo, já que apenas um modelo de carro fabricado localmente é permitido. Os “black cabs” têm uma origem, e uma regulamentação, que remontam à época das carruagens, no século 17. Certamente de lá para cá, houve a incorporação de tecnologias, mas de uma maneira bastante conservadora. A versão motorizada surgiu em 1897; em 1948, foram introduzidos os modelos icônicos de três portas com dobradiças posteriores. Outra duas atualizações ocorreram em 1959 e 1997, esta última com a introdução do TX1, modelo que está rodando nas ruas da cidade.

Os 25 mil táxis da cidade são um serviço de ótima qualidade, não há dúvida. Cada motorista, para obter sua licença de operação, é obrigado a passar por um teste de conhecimento de ruas, decorando pelo menos 350 rotas. No entanto, toda essa regulamentação faz dele também um dos mais caros do mundo.

Com a chegada dos aplicativos de transporte e de localização, os usuários locais e turistas ganharam uma alternativa mais econômica, e muitos acabaram optando por abrir mão do charme dos “black cabs”. Certamente, manter alguns aspectos da vida cotidiana com sua configuração tradicional é uma das características mais marcantes da cultura inglesa. No entanto, a incorporação de novas tecnologias traz praticidade e economia, virtudes que não podem ser dispensadas no modo de vida de uma grande cidade. Londres, uma das metrópoles mais plurais e modernas do mundo, vai encontrar uma maneira, como sempre fez ao longo de sua história, de conciliar os avanços do século 21 com a preservação de sua rica memória.