Arie Halpern: disruptura reanima mercado musical

A indústria musical este ano tem motivos de sobra para agradecer aos serviços de streaming, a salvação de um segmento que vinha ladeira abaixo. Segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), o crescimento dessas plataformas possibilitou um crescimento nas vendas mundiais de música de 3,2%, o que não é visto desde 1998. Sozinha, a música online representou a parte mais significativa nas vendas, 45%, ante 39% da música a partir do suporte físico. O modelo de streaming, que já possui uma longa história de disruptura no mercado musical, é o responsável por esse crescimento. São 68 milhões de assinaturas nas plataformas de streaming no mundo todo, de acordo com o IFPI.

Do vinil ao digital, a indústria musical atravessa profundas transformações. Segundo o livro “The Recording Angel”, escrito por Evan Eisenberg, em 1987, o “ouvinte de música se tornou um subproduto da era do supermercado”. E foi, a partir do advento da internet, que, tanto usuários como artistas, descobriram que esse seria um espaço interessante para o compartilhamento de canções de maneira autônoma, possibilitando a troca independentemente da influência de terceiros. O surgimento das plataformas de streaming rompeu com o padrão do mercado dominado pelas gravadoras, posicionando-se como alternativa econômica e ao alcance da um clique para quem buscava música de qualidade sem que, para isso, precisassem realizar o download pirata.

O Spotify é o exemplo mais bem sucedido desse mercado, pois levou a um novo patamar a disruptura que serviços pioneiros do mesmo setor ofereciam. Criada na tentativa de reunir músicas com pacotes gratuitos e pagos (sem deixar de compensar monetariamente os artistas), a plataforma, com sede em Londres, é conhecida mundialmente pela proteção aos direitos do artista e pelo seu amplo repertório. Mas, ainda que remunere os artistas que têm suas músicas disponíveis no Spotify, muitas reclamações vêm a público, levando a indústria a questionar essa e outras plataformas semelhantes.

Foto: Divulgação

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No caso específico do Spotify, que vende o acesso à música e não a propriedade de canções individuais ou discos, alguns artistas criticaram o serviço online pela quantia que recebem. Essas questões, que se tornaram públicas, fizeram com que a plataforma lançasse, no ano passado, um site reunindo todos os números relacionados a royalties e licenças, deixando transparentes e acessíveis essas informações. Antes temidos pelo mercado musical, o que se observa é que a presença disruptiva dos serviços de streaming está dando fôlego novo à indústria. Pesquisa da Recording Industry Association of America (RIAA), mostra que em 2013, por exemplo, o número de pessoas que comprava música por meios físicos (CD, LP e etc) caiu quase 13%. Em contrapartida, o número de usuários dispostos a assinar um serviço pago de streaming de música cresceu em 57%.

O alto desempenho dos canais digitais, que dão espaço para o crescimento das plataformas de streaming, reanimou a indústria musical, que estava ficando sem voz com a disseminação desenfreada dos downloads piratas.


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