Do simples e barato aos modelos inteligentes: mercados testam melhores soluções em máscaras

Enquanto o mundo se pergunta quando poderemos, e em quais condições, voltar a uma vida relativamente normal, vai ficando cada vez mais claro que há uma série de condições para que isso ocorra. Se quisermos acelerar a volta às ruas, precisamos assumir a normalização de uma série de medidas de higiene que devem ser incorporadas ao cotidiano, como a lavagem regular das mãos e do rosto, a desinfecção de compras, cuidados com os calçados, e assim por diante. O uso massivo de máscaras é comprovadamente uma das medidas mais eficientes para diminuir o ritmo de contágios. Várias cidades do Brasil, alguns estados e o Distrito Federal já tornaram o uso do equipamento obrigatório durante a pandemia.

Essa necessidade acabou por provocar um aumento repentino na demanda por esses itens, e, consequentemente, à pesquisa por modelos mais eficientes e técnicas de produção inovadoras. “Quando um mercado sofre estresse dessa maneira, precisa dar respostas rápidas, de uma hora para outra, e as soluções vão se encaminhando por vias muito diferentes, dando conta da melhor maneira das novas necessidades”, avalia o especialista em tecnologia disruptivas Arie Halpern.

Basicamente, as apostas vão por dois caminhos: produzir máscaras ultrasseguras, que possam ser usadas várias vezes, com tecnologia agregada que facilite a esterilização e adicione facilidades ao usuário; ou, então a investir em modelos simples, com boa margem de segurança, mas muito baratos e descartáveis, de forma que possam ser produzidos aos bilhões e distribuídos fartamente para serem usados no dia a dia.

No primeiro caso, ganhou destaque na última semana um anúncio da chinesa Xiaomi. A empresa está lançando uma máscara que é capaz de se desinfetar sozinha, com uma luz ultravioleta embutida, quando posta em uma tomada para carregar. A máscara tem um tipo de filtro chamado N95, recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e considerado pelos especialistas como o mais eficiente para barrar o contágio da covid-19. O produto tem uma configuração que não atrapalha o reconhecimento facial para desbloqueio de tela em smartphones.


Do cafezinho ao equipamento de proteção

Outro caminho foi tomado pela tradicional Mellita, sediada na Alemanha. A empresa viu sua expertise centenária na produção de filtros de papel para passar café ganhar uma nova função com a crise sanitária. Diante da perspectiva de que apenas seu país de origem precisaria de 12 bilhões de máscaras por ano, a Mellita percebeu que o formato de seu filtro se adequaria perfeitamente a uma máscara que cobrisse boca e nariz, encaixando-se no queixo. O ingrediente essencial para a produção de máscaras médicas é um não-tecido, fabricado por um processo conhecido como extrusão por sopro fundido. E justamente a empresa tinha a possibilidade de fabricar esse material em sua linha de sacos de aspiradores de pó, que poderiam então ser moldados na linha de produção de filtros para ganharem o formato das máscaras. Com isso, a empresa já produziu cerca de 10 milhões de itens durante o primeiro mês, enviadas para o mercado com elásticos separados e instruções de montagem.

 Com informações: OMS; Correio Braziliense; The New York Times; Xiaomi; Canaltech.