Drone aquático grava imagens do furacão Sam, enfrentando ondas de 15 metros e ventos de 190 km/h

Depois de multiplicar sua utilidade, com soluções para o varejo e a agricultura, levando produtos e medicamentos, fazendo irrigação, captando imagens ou alcançando lugares de difícil acesso pelo ar, os drones avançam para outras fronteiras.

Um barco autônomo de 7 metros de comprimento, que vem sendo chamado de drone aquático, conseguiu capturar imagens do olho do furacão Sam. De categoria 4, ele atingiu a costa leste dos Estados Unidos no início do mês. Enfrentando ondas de 15 metros e ventos de 193 quilômetros por hora, ele gravou um vídeo de 28 segundos com imagens impressionantes.

Segundo os cientistas do National Oceanic and Atmospheric Administration – NOAA, dos Estados Unidos, estas são as primeiras imagens obtidas de dentro de um furacão, um dos lugares mais hostis da Terra. As imagens abrem novas perspectivas para a compreensão da formação e evolução dos furacões.

Para os pesquisadores, o uso dos dados coletados em tempo real em modelos matemáticos desenvolvidos para prever a formação de furacões podem dar margem a novos insights sobre como ciclones tropicais se intensificam e se tornam mais destrutivos. E, a partir desses estudos, será possível projetar modelos de segurança para diminuir perdas de vidas humanas em terra e em alto mar.

Desenvolvido por meio de uma parceria entre o NOOA e a empresa Saildrones Inc., da Califórnia, o modelo já conta com uma frota de cinco unidades monitorando o Oceano Atlântico, e coletando dados 24 horas para ajudar a entender os processos físicos dessas tempestades. A tecnologia usada no drone aquático confere autonomia de até 12 meses. Isso significa que ele pode realizar uma missão de até um ano sem necessidade de reabastecimento ou manutenção.

Desvendando os mistérios da Antártica

Em janeiro de 2019, um modelo anterior do drone aquático foi a primeira embarcação não tripulada a circunavegar a Antártica, contribuindo para a evolução dos estudos sobre os processos oceânicos e climáticos.

A missão, iniciada na costa da Nova Zelândia, durou cerca de seis meses e navegou por 22 mil quilômetros ao redor da Antártica, enfrentando ondas de até 15 metros e ventos de 130 quilômetros por hora, e foi patrocinada pela Fundação Li Ka Shing.

“O Oceano Antártico desempenha um papel fundamental na regulação do calor e do carbono para o planeta. Porém, por ser tão remoto e inóspito ainda há poucos dados disponíveis. O drone aquático abre um novo horizonte para a compreensão dos fenômenos que ocorrem, principalmente no inverno, e, assim, dos efeitos deles nas condições do planeta”, explica Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.