Arie Halpern: ecossistemas inovadores se atrelam à economia das cidades

No livro “Startup Communities: Building an entrepreneurial ecossystem in your city”, o escritor Ben Feld analisa a relação entre um ecossistema de startups e a região onde está instalado. Essa rede, composta por empresas, startups, aceleradoras, incubadoras e governos que coexistem em uma determinada região, pode ser responsável por impulsionar significativamente a economia da cidade, afetando a vida de seus moradores (direta ou indiretamente). De forma colaborativa, juntas, essas entidades formam uma espécie de “complexo” colaborativo, um ecossistema, que pretende impulsionar uma cultura empreendedora e revolucionária. Tanto investidores como membros das empresas e o poder público trabalham em conjunto, formando uma cadeia de agentes engajados na inovação. É nesse ponto de construção que a região geográfica escolhida para atuarem faz toda a diferença.

Mais do que formar um polo de inovação, o ecossistema é responsável por criar uma estrutura capaz de abrigar pontas diferentes que, ao trabalharem juntas, contribuirão para um ambiente tecnologicamente fértil. O Vale do Silício é a maior referência de um ecossistema de sucesso. Ali, o que começou com oito empreendedores, desenvolveu-se em aproximadamente 92 empresas tecnológicas avaliadas em mais de 1,8 trilhões de dólares. O ponto é que, em uma região específica, criou-se essa cultura empreendedora, capaz de impulsionar o crescimento de empresas e indústrias locais. Tudo isso, feito por meio do compartilhamento de conhecimentos e do coworking, tendo a gana por inovação como carro-chefe.

Da mesma forma que fazem por lá, especialistas e empreendedores buscam, no Brasil, maneiras de alavancar o ambiente inovador e a cultura empreendedora no País. O cenário é positivo: segundo índice feito pela Endeavor Brasil de cidades empreendedoras do País em 2015, São Paulo, Florianópolis e Vitória são as três primeiras colocadas da lista, ao levar em consideração fatores como mercado, capital humano, infraestrutura, acesso a capital etc. São Paulo, que lidera a lista, também está presente em uma análise feita pela Compass, o Startup Ecosystem Ranking 2015, que enumera os 20 maiores ecossistemas do mundo. Na cidade paulistana, estima-se que mais de 2.000 startups estejam ativas e que o seu índice de crescimento é o terceiro mais rápido entre os ecossistemas do ranking.

Frente à crescente veia empreendedora do País e à busca por se posicionar melhor no quesito inovação, o Brasil tem sido palco de uma frequente evolução dos ecossistemas regionais, compostos por recursos e instituições facilitadoras de todo o processo de se iniciar um negócio. A verdade é que uma startup pode obter melhores resultados e retornos quando inserida em um ecossistema, afinal, o networking e a colaboração mútua abre mais espaço para novas ideias, novos contatos e novas tecnologias.


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