Embalagem reciclável para carne pode reduzir descarte de milhares de toneladas de plástico

Há no mundo milhares de iniciativas e soluções para reduzir a quantidade de resíduos por meio de diferentes processos e práticas, que incluem reaproveitamento e reciclagem. Mesmo assim, em alguns casos ainda é inevitável usar embalagens e produtos que não podem ser eliminados ou reaproveitados. Essa é uma situação comum no setor de alimentos, especialmente, nos mais perecíveis e sujeitos à contaminação como as carnes.

Um estudante da Swansea University, em Wales, desenvolveu uma bandeja reciclável para embalar carne que pode diminuir o descarte de milhares de toneladas de plástico. De acordo com uma fórmula de cálculo usada por especialistas da Universidade de Leeds, estima-se que 1,3 bilhão de toneladas de plásticos serão descartadas no ambiente nos próximos 20 anos.

A demanda por embalagens para carnes, aves e frutos do mar cresce em torno de 3% ao ano. Somente no Reino Unido, a cada ano cerca de 800.000 toneladas de resíduos plásticos provenientes de embalagens de carne são descartadas no lixo. Entre 5% e 8% desses resíduos são provenientes do forro absorvente, similar ao usado em fraldas descartáveis. Esse material absorve a umidade da carne e a transforma em gel, evitando o desenvolvimento de micro-organismos e conservando o alimento.

A embalagem desenvolvida pelo estudante sírio Alaa Alaizoki, e já em uso em algumas redes de supermercados do Reino Unido, prescinde do absorvente plástico. Nelas, a umidade escoa por buracos, similares a um favo de mel, projetados de forma que não retorne, mesmo se a bandeja for virada ou sacudida. E depois de usada, pode ser lavada possibilitando sua reciclagem.

Patenteada para uso em alimentos, ela pode ser usada também para embalar outros produtos reduzindo a quantidade de material que hoje é descartado em aterros sanitários.

“O descarte de plástico, material cuja decomposição leva em média 400 anos, é um dos grandes desafios para a preservação do planeta”, alerta o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. A substituição desse material por outros, compostáveis ou recicláveis, aliada ao aprimoramento dos sistemas de coleta e destino em países de renda baixa e média para o correto descarte são algumas das iniciativas que contribuem para o enfrentamento do problema.

O debate sobre como a humanidade pode conviver com a natureza sem destruí-la ainda está longe de terminar. Nas conferências internacionais, como a recém realizada COP26, a cúpula da ONU sobre mudanças climáticas, discute-se acordos globais entre países. Mas é preciso também avaliar e adotar ações individuais na vida diária para conter o impacto do consumo no ambiente.