Embalagens para alimentos: heroínas ou vilãs?

A geração e o descarte de resíduos sólidos é um dos maiores desafios econômicos, ambientais e sociais que enfrentamos atualmente. Entre eles, o desperdício de alimentos e as embalagens usadas para transportá-los, antes ou depois da compra, estão entre os que mais contribuem para a geração de resíduos.

De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, eles respondem por 45% do total de resíduos sólidos naquele país. E, mesmo com o desenvolvimento de uma variedade de novas tecnologias para lidar com eles, a maior parte ainda vai para aterros sanitários.

O lixo plástico é o que mais atrai a atenção de ambientalistas, e sua gestão adequada é uma prioridade global. Dos resíduos plásticos, as embalagens de alimentos são o principal alvo de preocupação – por dois motivos: o acelerado aumento da produção e do consumo e por serem descartáveis após uma única utilização. O contato direto com alimentos faz com que sua reciclagem seja muito limitada.

Os plásticos descartáveis ​​representam 40% dos plásticos produzidos por ano e muitos deles, como sacolas, bandejas e filme plástico, têm vida útil de horas ou até minutos. Mas permanecem no meio ambiente por centenas de anos, seja no solo ou nos oceanos.

Por outro lado, a decomposição dos alimentos, apesar de ser um processo natural, contribui significativamente para o aquecimento global. Além disso, seu impacto ambiental é ainda maior do que o de embalagens. Segundo especialistas, uma tonelada de comida em um aterro produz cerca de mil quilos de CO2. Além disso, a decomposição de alimentos também emite metano, que é ainda mais prejudicial ao meio ambiente.

Um terceiro aspecto relevante no descarte de alimentos (e das embalagens) é o desperdício de recursos naturais, como a água e a energia usadas em sua produção. Não há dúvidas de que o desperdício de alimentos causa mais problemas ao meio ambiente do que o descarte de embalagens. Porém, isso se torna ainda mais preocupante quando consideramos que milhões de pessoas não conseguem se alimentar com o mínimo necessário.

Assim, é fundamental reduzir ou minimizar o desperdício de alimentos. Para isso, as embalagens são indispensáveis. Ou seja, a solução não está em eliminá-las, mas em usar todos os recursos, materiais e tecnologias tanto para preservar os alimentos por mais tempo, quanto para que possam ser reutilizadas ou recicladas, aumentado sua vida útil e reduzindo o descarte.

Tecnologias de embalagens minimizam desperdício de alimentos

O desperdício ou perda de alimentos acontece em todas as etapas, seja na produção de alimentos, transporte, armazenamento, processamento ou cozimento. A embalagem desempenha um papel importante na eliminação ou na minimização de perdas durante o transporte e o armazenamento.

Novas tecnologias para proteger os alimentos e reduzir a geração de resíduos

Entre as tecnologias para preservar alimentos e reduzir a geração de resíduos sólidos estão as embalagens ativas, filmes de barreira e a nanotecnologia.

As embalagens ativas atuam diretamente com o produto embalado, eliminando completamente o oxigênio residual. Entre elas, a embalagem com atmosfera modificada (do inglês Modified Atmospheric Packaging – MAP) é uma das mais usadas. Ela mistura oxigênio, dióxido de carbono e nitrogênio, formando uma barreira que retarda a proliferação de microorganismos e, consequentemente, a maturação e o envelhecimento de frutas e vegetais, prolongando sua vida útil.

Os chamados filmes de barreira são outra alternativa. Eles contêm revestimentos que protegem contra o oxigênio e/ou umidade e ao mesmo tempo reduzem a embalagem. Porém, não são recicláveis, podendo ser usados somente uma vez.

A nanotecnologia, mais recente, é outra possibilidade que vem se constituindo como alternativa promissora. O uso de nanopartículas como a argila, misturada com uma matriz polimérica, melhora a barreira de gás. As de prata podem melhorar as propriedades antimicrobianas, enquanto nanosensores inseridos em embalagens inteligentes funcionam como um dispositivo de rastreamento que garante a segurança alimentar.

Com estas tecnologias e novas soluções de design é possível reduzir ou evitar o desperdício de alimentos, além de possibilitar a reciclagem de embalagens -contribuindo para e economia circular e a preservação do planeta. Para isso,  todos os recursos devem ser utilizados da melhor forma possível, sejam embalagens ou alimentos.