Empreendedorismo social é a nova face dos negócios, afirma Arie Halpern

Situações como falta de água, saneamento precário, mercado de trabalho para refugiados, epidemias, energia alternativa e educação colaborativa serviram de inspiração para a criação de negócios que geram lucros. O empreendedorismo social é uma “modalidade” de negócios que vem chamando a atenção, principalmente dos jovens. Segundo uma pesquisa da consultoria Deloitte, 73% dos millennials querem ter uma carreira que esteja relacionada a um propósito que cause impacto social. Para essa geração, trabalhar em troca de um salário não é o bastante.

O empreendedorismo social é um segmento que investe tempo e recursos na solução de problemas sociais e ambientais, para tornar o mundo melhor, a partir de inovações e tecnologias disruptivas. O lucro é importante, mas não é tudo. Por trás do negócio, há uma preocupação com o desenvolvimento social.

Atento ao que acontece no mundo do empreendedorismo, o economista Arie Halpern lista algumas iniciativas que buscam solucionar problemas sociais e derrubar algumas barreiras econômicas.

Foto: Heisenberg Media

Foto: Heisenberg Media

Água na Índia

Segundo o portal TechCrunch, três quartos das doenças na Índia são causadas por contaminantes da água. Para ajudar a resolver o problema, a empresa social Piramal Sarvajal (que significa “água para todos” em sânscrito), fundada em 2008, projeta e instala soluções inovadoras para o acesso à água potável nas áreas carentes da Índia. O diferencial é que ao invés de depender de doações ou subsídios governamentais, a Sarvajal opera a partir da venda de água a preços simbólicos em pontos de venda. É possível comprar vinte litros de água potável em pontos espalhados pelas cidades ao preço correspondente a uma xícara de chá (12 centavos). O serviço faz sucesso e já está disponível para mais de 300 mil consumidores em 12 estados do país.

Saneamento no Peru

Na capital Lima, a segunda cidade mais seca do mundo, definitivamente banheiros com água não são uma solução sustentável. Por isso, duas empreendedoras locais investiram na melhoria do saneamento. Com a ajuda de investidores anjos (pessoas físicas que investem capital próprio em empresas iniciantes), subsídios governamentais e um prêmio de inicialização dado pela Startup Perú (competição local), as empresas conseguiram reunir US$ 1 milhão para importar “banheiros secos” de uma fabricante sueca. Comercializadas sob encomenda, os sanitários, no lugar de descargas, possuem baldes que são recolhidos temporariamente em bases próximas às residências. Além de melhorar o saneamento, a solução também é sustentável ao transformar as fezes recolhidas em adubo.

Controle de epidemias no Brasil

No Brasil, o pernambucano Onicio Leal Neto criou a Epitrack, empresa responsável por criar uma plataforma colaborativa para controle de epidemias. Em tempos de Zika e microcefalia, o site detecta digitalmente as doenças e constrói novas maneiras de combater os surtos.

Saúde na África

Ao viajar para Malawi, no sudeste da África, o médico Josh Nesbit conheceu pacientes que precisavam caminhar por 80 quilômetros ou mais para fazer uma consulta médica. Para facilitar o acesso aos médicos na região, ele criou a plataforma Medic Mobile, organização sem fins lucrativos que conecta, por mensagens de textos, pacientes de regiões pobres com médicos de países desenvolvidos. Quase 8 mil profissionais de saúde estavam realizando consultas online em 21 países no final de 2013.

Empatia nos Estados Unidos

Após um passeio pela Argentina, o norte-americano Blake Mycoskie ficou impressionado com o número de crianças que andavam descalças. Ao voltar para casa, ele fundou a TOMS, marca de calçados que doa um par de sapatos para cada item vendido.

Com iniciativas individuais espalhadas pelo mundo, o empreendedorismo social tem crescido cada vez mais. Segundo Arie Halpern, a procura por esse modelo de negócios é tanta que universidades como Stanford e Yale, nos EUA, estão, inclusive, investindo em aulas preparatórias para o segmento. Confira aqui.


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