Empresa brasileira envia proteínas de covid-19 para experimento de cristalização na Estação Espacial Internacional

O 31º voo do Foguete Falcon 9, da Space X, decolou do Centro Espacial Kennedy da Nasa, na Flórida, com uma carga de quase cinco toneladas de suprimentos, experimentos científicos e hardware para a tripulação da Expedição 66, na Estação Espacial Internacional (International Space Station). Entre elas, está um experimento brasileiro que consiste em cristalizar proteínas no espaço.

A técnica permite explorar as condições de microgravidade, buscando obter cristais de proteína de melhor qualidade e pode significar um salto para a indústria farmacêutica nacional.

O envio de quatro moléculas da proteína da covid-19 ao espaço foi feito por meio da empresa brasileira Airvantis, especializada em logística espacial. Com bases no Brasil e nos Estados Unidos, a Airvantis foi fundada em 2013 pelo engenheiro espacial Lucas Fonseca com o objetivo de oferecer acesso de baixo custo ao espaço para empresas e governos.

Brasil no segmento New Space

Fonseca, que participou da missão espacial Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA), tem a ambição de garantir ao País lugar no promissor segmento de exploração espacial. “O chamado “NewSpace” é o movimento pelo qual empresas privadas estão substituindo governos e estatais na exploração do espaço”, explica o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.

Nomes conhecidos como dos bilionários Elon Musk, Richard Branson e Jeff Bezos são apenas alguns dos expoentes de uma extensa cadeia que está sendo ampliada, formada por diversas empresas privadas e centros de pesquisa, além de centenas de startups. Com elas, os custos de lançamentos de satélites e foguetes vêm caindo significativamente. Atualmente, o envio de uma carga de um quilo para a International Space Station (ISS) fica em torno de US$ 50mil.

Outros quatro lançamentos já estão programados para fevereiro, março, junho e julho de 2022. Entre eles, estão, por exemplo, levedura de vitamínicos. O ambiente espacial é favorável à produção de radicais livres, que podem contribuir com as pesquisas dessas leveduras.

A Airvantis tem parceria ainda com a japonesa SpaceBD, empresa que vem obtendo sucesso em lançamentos espaciais e tem autorização para uso das instalações japonesas na ISS e acesso logístico à Lua.