Empresas de tecnologia assumem compromisso com a diversidade e inclusão

Os benefícios da diversidade nas mais diversas áreas são reconhecidos e comprovados por um número cada vez maior de pesquisas e estudos, mas ainda estão longe de ser uma realidade em áreas como ciência e tecnologia, entre muitas outras.

Um estudo realizado pela Universidade de Stanford analisou as dissertações de quase todos os doutorandos nos Estados Unidos e acompanhou suas carreiras e publicações. Foram cerca de 1,2 milhões de alunos entre 1977 e 2015. Intitulado The Diversity–Innovation Paradox in Science (O paradoxo entre inovação e diversidade na Ciência, numa tradução livre), o trabalho constatou que alunos que pertencem à minorias são mais inovadores do que os demais. Mas suas contribuições são menos valorizadas e eles têm menos possibilidade de obter posições de destaque no meio acadêmico.

No setor de tecnologia, a realidade não é diferente. A maioria dos funcionários é homem (entre 52% e 64%) e branco (entre 63% e 68%). No nível executivo, os percentuais são ainda maiores, mais de 80% são homens brancos, segundo o US Equal Employment Opportunity Commission, a agência americana responsável pelo cumprimento das leis federais que proíbem a discriminação devido à raça, cor, religião, orientação sexual, nacionalidade, idade, deficiência ou informação genética no ambiente de trabalho.

O cenário se repete no Brasil. De acordo com um estudo elaborado pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups), apenas 5,8% dos fundadores de negócios de tecnologia no país são negros. A maioria, 59,2% do total, são homens, e 64,8%, brancos.

“Mas os recentes movimentos e protestos que vêm ocorrendo em todo o mundo, pressionando por maior conscientização em relação aos direitos das minorias e à necessidade de eliminar a sub-representação de determinados grupos no local de trabalho, está levando as empresas de tecnologias a dar um passo à frente e assumir compromissos para mudar a cultura de diversidade no setor”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Mais negros na liderança das gigantes de tecnologia

A Microsoft lançou um plano de cinco anos no qual detalha as ações para combater a injustiça racial e a desigualdade para a comunidade negra e afro-americana e para outros grupos sub-representados, incluindo as comunidades hispânica e latina. A empresa se comprometeu a dobrar o número de gerentes e líderes negros até 2025 e aumentar em US$ 150 milhões o investimento em iniciativas de diversidade e inclusão.

O Google se comprometeu a aumentar a quantidade de funcionários de grupos sub-representados em 30% até 2025 e criou uma força-tarefa para promover melhorias nos processos de seleção, retenção e promoção em todos os níveis de forma a ampliar a participação de minorias. A empresa também desenvolverá programas educacionais antirracismo e treinamento com foco em diversidade, equidade e inclusão para seus gestores.

A gigante de tecnologia lançou ainda o fundo Black Founders Fund , como parte de seu programa de startups. O fundo de US$ 5 milhões é destinado exclusivamente a empresas fundadas por negros. A previsão é beneficiar 30 negócios, que receberão investimentos.

A Apple também fixou como meta aumentar em 30% a quantidade de profissionais negros em posições de liderança até 2025 e destinou US$ 100 milhões para promover a diversidade na empresa. Nos últimos cinco anos, 53% das novas contratações foram de pessoas pertencentes a minorias. A empresa mantém vários grupos de afinidade para promover ações de educação, programas de liderança e networking com foco em diversidade, os quais reúnem mais de 25 mil funcionários no total.

A relação positiva entre diversidade no local de trabalho e os resultados, sejam em termos de inovação ou resultados financeiros é inegável. E ações afirmativas para incentivar e fomentar a inclusão de profissionais que pertencem a minorias são o caminho para uma sociedade mais justa e sustentável.