Energia gerada pela fotossíntese de algas mantém computador funcionando há um ano

A fotossíntese é um dos processos com grande potencial para se tornar alternativa de fonte de energia para reduzir a necessidade de uso de combustíveis fósseis nos próximos anos. Recentemente, pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, anunciaram que há um ano mantêm funcionando um computador carregado pela energia gerada por algas, a partir da luz solar, em um ambiente doméstico e com luz natural.

O eletrodo de alumínio criado pelos cientistas tem o tamanho de uma pilha pequena (AA) e usa a espécie Synechocystis (cyanobactéria), que gera energia por meio de fotossíntese, gerando corrente elétrica. Diferente de uma bateria, ela usa continuamente a luz para produzir energia, sem necessidade de armazená-la.

A corrente gerada é pequena, mas suficiente para alimentar um microprocessador. Além disso, o sistema criado pelos cientistas ingleses é feito com materiais comuns e recicláveis, o que o torna facilmente replicável para carregar vários dispositivos.

A alga cria seu próprio alimento enquanto faz fotossíntese e, apesar de precisarem luz para isso, continuam gerando energia no escuro. Os pesquisadores acreditam que, como as algas processam parte dos alimentos quando não tem luz, elas continuam gerando corrente elétrica mesmo quando não estão fazendo fotossíntese.

Tecnologia promissora para internet das coisas

“A tecnologia é especialmente promissora para a Internet das Coisas, cuja rede é formada por dispositivos eletrônicos que usam uma pequena quantidade de energia cada um para coletar e compartilhar dados em tempo real via internet”, explica Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Com chips de computador que os conectam a redes sem fio, bilhões de dispositivos formam essas redes, desde smartwatches a sensores de temperatura em centrais elétricas, passando por diferentes eletrodomésticos. O Arm Cortex M0+, dispositivo usado no projeto, é comumente usado nesses itens em rede e conectados à internet.

O estudo, publicado pela revista Energy & Environmental Science, traz a perspectiva de que é possível substituir as baterias de íons de lítio ou sistemas fotovoltaicos tradicionais que usam materiais não sustentáveis.

Em outro estudo, realizado na Nanyang Technological University, em Cingapura, os pesquisadores mostraram que com o encapsulamento, uma proteína de microalgas, aumenta em até três vezes a capacidade de absorver luz e converter em energia durante a fotossíntese.

Segundo eles, a fotossíntese artificial pode ser uma alternativa sustentável para gerar eletricidade sem usar combustíveis fósseis ou outras fontes não renováveis. Embora a fotossíntese artificial não seja tão eficiente quanto as células solares para gerar eletricidade, ela abre caminho para avançar e obter mais eficiência no processo.