Estados Unidos impõem multa histórica ao Facebook e indicam ajustes para o futuro das redes

A plataforma de interações sociais Facebook sofreu na última quarta-feira, dia 24 de julho, um revés importante. A empresa de Mark Zukerberg fechou um acordo com a Comissão Federal de Comércio (FCT na sigla em inglês) dos Estados Unidos para encerrar um processo a respeito de mau uso de dados de seus usuários por nada menos do que US$ 5 bilhões, algo como R$ 19 bilhões. Esta é a maior indenização civil já imposta pela agência.

Mesmo com uma perda desse montante, o mercado financeiro, cujos movimentos normalmente são antecipados por especialistas em análises sofisticadas, acabou por produzir um movimento de alta em suas ações. Esse tipo de efeito acontece porque o acordo obtido por Zukerberg pode ter evitado perdas potencialmente maiores – ou seja, o mercado entendeu que o Facebook sofreu um baque mas ainda assim escapou do pior. As investigações da FCT haviam começado um ano atrás e se referiam a uma suspeita de que a consultoria política Cambridge Analytica havia obtido dados de usuários confiados ao Facebook sem que eles autorizassem esse compartilhamento, ou sequer soubessem.

Mas os desafios do governo norte-americano na era digital não pararam por aí. Nesta mesma semana o Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos abriu uma investigação a respeito do Facebook e também da Amazon, Apple e Google, para verificar se há práticas articuladas entre essas empresas que possam diminuir a saudável concorrência, e assim, de alguma forma, prejudicar os interesses dos consumidores finais. E desta vez, sem que houvesse tempo dos analistas para antecipar este movimento, a notícia estourou na Nasdaq, a bolsa tecnológica de Nova Iorque: as perdas das gigantes, somadas, chegaram a US$ 33 bilhões, o que equivale aproximadamente a R$ 125 bilhões, em poucas horas.

Tanto o acordo com a Comissão Federal de Comércio quanto a abertura de uma investigação por parte do Departamento de Justiça podem ser considerados uma clara indicação para o futuro das companhias tecnológicas de ponta. A mensagem é que haverá uma observação apurada a respeito das empresas listadas na Nasdaq. O próprio Facebook admitiu em nota que o acordo com a FCT significou um ponto de virada para a empresa. A partir de agora e para o futuro, a promessa é de um controle muito mais rígido de dados. A mudança já começou com uma completa readequação das políticas internas, inclusive com a realização de testes trimestrais para verificar se os sistemas estão se comportando adequadamente para garantir a proteção da privacidade.

Essas medidas de fiscalização e eventualmente de punição das empresas de tecnologia chegam num momento em que elas se tornaram gigantescas e, portanto, adquiriram responsabilidades sem precedentes sobre o futuro da economia mundial. Isto sem falar em como elas são capazes de influenciar até mesmo os padrões comportamentais de usuários do mundo todo. O desenvolvimento tecnológico traz consigo enormes possibilidades, mas que acarretam também desafios em igual medida. Que sociedades democráticas possam criar meios de moderar eventuais desvios nessa jornada é desejável para a sociedade, mas também – embora isso possa parecer contraditório num primeiro momento – para as própria empresas. Afinal de contas, corrigir rumos é a garantia de seguir em frente com mais segurança para elas mesmas, em benefício de todos. 

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