Fáceis de consertar e com ampla oferta de peças de reposição, smartphones “sustentáveis” são a nova tendência

Enquanto os grandes fabricantes de smartphones investem em tecnologias de ponta e novos recursos para seus modelos, há uma tendência cada vez maior de fabricantes que privilegiam a sustentabilidade. Os modelos “sustentáveis”, em geral, têm menos recursos em comparação com os aparelhos “top de linha”, porém vida útil mais longa. Além disso, oferecem amplas opções de peças de reposição e a manutenção é mais barata.

Outra característica importante é a reduzida pegada de carbono. Até 80% da emissão de carbono dos dispositivos eletrônicos ocorre antes que cheguem às prateleiras. A começar pelo fato de que grande parte da fabricação é feita na China, e o país tem o carvão como principal fonte de energia, passando pelo uso de químicos e recursos naturais como o minério, nem sempre extraído de forma sustentável.

Além disso, os aparelhos tradicionais usam peças que não podem ser reaproveitadas ou recicladas e vida útil de três a quatro anos, contribuindo com um volume significativo de lixo eletrônico. A boa notícia é que há opções disponíveis no mercado de celulares eco-friendly.

São dispositivos que atendem três principais premissas em seu processo de fabricação: consumir menos recursos, especialmente naturais, usar fontes de energia renováveis e materiais recicláveis e não usar químicos perigosos. Ou seja, a produção tem que causar baixo impacto ambiental.

Nesta lista, estão ainda a possibilidade de substituição de peças, incluindo bateria, tela e câmera, a disponibilidade de peças de reposição e a facilidade para serem reparados, o que aumenta consideravelmente sua vida útil.

Fundada por três empreendedores na Holanda, a Fairphone é uma das empresas produtoras de telefones mais conhecidas atualmente. Seu modelo Fairphone 4, lançado recentemente, recebeu certificação ecológica alemã Blue Angel como o smartphone mais sustentável do mundo. Seus modelos são fabricados com alumínio de fornecedores certificados pela ASI (Aluminium Stewardship Initiative) e plástico 100% reciclado, além de usar peças que podem ser facilmente retiradas e substituídas. Os usuários encontram no site da própria fabricante tutoriais de como consertá-los.

Produzido pela americana Teracube, o celular Teracube 2e é feito com 25% de policarbonato reciclado e sua bateria, que pode ser substituída, é biodegradável.  O processo de fabricação tem baixa pegada de carbono e a embalagem é feita com papel reciclado.

Já a fabricante alemã Shift apresenta seu modelo SHIFT6M como o smartphone mais modular no mundo. A empresa prioriza condições justas de trabalho e a facilidade de reparo de seus produtos, cujo design é minimalista.

Com maior pegada de carbono e peças que não podem ser substituídas, mas com tecnologia e recursos mais avançados, as grandes fabricantes também avançam em direção à produção de produtos mais sustentáveis. Os iPhones, produzidos pela Apple, usam alumínio reciclável e estão livres de alguns químicos perigosos.

Enquanto isso, alguns modelos antigos, como o iPhone6, continuam recebendo atualizações de software, de forma a aumentar sua vida útil. A Sony, que produz os modelos Xperia, usa materiais recicláveis e também reduziu o uso de químicos perigosos.

Entre as possibilidades para reduzir as emissões de gases e poluentes, há quem inclua ainda o recondicionamento ou o aluguel por assinatura. “As iniciativas para um mundo mais sustentável não se restringem somente aos fabricantes. É preciso que cada um de nós tenha consciência sobre os impactos ambientais quando escolhemos determinado produto. É importante avaliar as reais necessidades e o impacto que cada produto representa”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.