Fake news na mira do Congresso americano

Com eleições previstas para 2020, o Congresso dos Estados Unidos vem procurando maneiras de coibir ou, pelo menos, minimizar o impacto das fake news. A questão foi levantada em audiência do Comitê de Inteligência da Casa, cujo foco era a análise dos riscos de segurança tecnológica para o período eleitoral. O comitê reuniu especialistas de universidades e think tanks para preparar estratégias e orientar as restrições a serem apresentadas ao governo e às companhias que operam sistemas de mídias sociais.

O evento aconteceu poucas semanas após a circulação, nas redes digitais, de um vídeo com imagens da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, aparentemente bêbada – o conteúdo era falso e as imagens haviam sido editadas para causar a má impressão. Na ocasião, as companhias de mídias digitais reagiram de maneiras diferentes ao material: YouTube removeu o conteúdo, Facebook encaminhava aos usuários informações de sites de verificação falando sobre a manipulação do vídeo e o Twitter não implementou ações de restrição.

Um dos pontos levantados no Congresso é a possibilidade de responsabilização das empresas pela circulação desse tipo de conteúdo. Hoje, amparadas pelo Artigo 230 da Lei sobre a Decência das Comunicações (Communications Decency Act), as plataformas de mídias sociais não são formalmente responsáveis por aquilo que é publicado por seus usuários. Há, porém, diversas preocupações ligadas à liberdade de expressão a serem analisadas.

“A pressão da sociedade já motivou companhias como Facebook a criarem mecanismos internos de verificação de conteúdo”, lembra Arie Halpern, empresário especialista em inovação tecnológica. Uma “sala de guerra” foi montada no ano passado para monitorar as informações ligadas às eleições para deputados e senadores, que acontecera em novembro. Engenheiros, cientistas, advogados e executivos da companhia acompanham as ações dos usuários em tempo real. A proposta da empresa é intensificar o trabalho até o ano que vem. Mas, considerando a quantidade de informações falsas que ainda circulam na rede, especialistas já se perguntam se essas medidas serão o suficiente.

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