Farmacêuticas inovam no combate à Covid-19 com adesivos e sprays

Ciência e tecnologia foram cruciais para o enfrentamento dos vários desafios impostos pela pandemia da Covid-19. Pesquisas e inovações científicas tornaram possível fazer, em tempo recorde, o sequenciamento genético do SARS-CoV-2, identificar o mecanismo de replicação, desenvolver métodos para detecção das mutações genéticas e desenvolver vacinas, entre outros avanços.

Com a perspectiva de que, a exemplo da gripe, novas variantes do SARS-CoV-2 continuarão surgindo, os especialistas buscam formas de detectar e monitorar o vírus com testes rápidos e eficientes capazes de serem realizados em grande escala. Na Indiana University–Purdue University Indianapolis – IUPUI, uma equipe de cientistas desenvolveu uma biossensor capaz de detectar e quantificar o anticorpo IgG do novo coronavírus.

O sensor, que utiliza uma amostra muito pequena de sangue, pode analisar quase uma centena de amostras em menos de três horas. Em uma análise cega, os pesquisadores verificaram uma taxa de 100% de precisão na detecção da presença do vírus. O sensor mede ainda a concentração de anticorpos para Covid-19.

“A tecnologia desenvolvida em um segmento pode ter aplicações em diversos outros”, explica o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “Os avanços científicos que aconteceram nos últimos dois anos, com união de esforços de pesquisadores do mundo inteiro, poderão contribuir para o combate a diversos outros vírus e também para controlar a disseminação das novas variantes”, complementa o executivo.

 

Vacinas sem agulha

Na Universidade de Queensland, na Austrália, a inovação é uma vacina em forma de adesivo impresso em 3D. Testes em camundongos mostraram que a técnica é mais eficaz dos que a vacina tradicional, aplicada com seringa e agulha. Segundo os cientistas, a aplicação por meio de adesivo induziu uma resposta imunológica maior.

A pesquisa utilizou um adesivo microarray de alta densidade (high-density microarray patch – HD-MAP).  De acordo com resultados publicados na revista científica Vaccine, o adesivo foi cerca de 11 vezes mais eficaz no combate à variante Omicron do que as vacinas aplicadas por injeção.

Outra inovação no campo da saúde é a vacina oral contra a Covid-19. Um estudo publicado no site de pré-publicação (ainda não revisado por pares) de artigo científicos MedRxiv, apresenta os resultados de um ensaio clínico de uma vacina oral contra o vírus SARS-CoV-2.

A vantagem, segundo os especialistas, é que a administração oral confere imunidade à mucosa, que é o principal local de infecção. Os tecidos que revestem o nariz e as vias aéreas são a primeira linha de defesa contra o vírus, pois é por elas que começa a contaminação.

As membranas mucosas atuam como barreiras contra a maioria das substâncias estranhas. Grande parte dos patógenos é destruída e eliminada pelas células imunes das membranas mucosas. Os testes indicaram que metade dos participantes do estudo desenvolveram mais anticorpos do que pessoas que já haviam contraído Covid-19.

A imunização das mucosas é umas das linhas de pesquisa mais promissora para a prevenção contra Covid-19. Além da vacina em forma de pílula, os cientistas também estudam uma fórmula em spray nasal.

Com a certeza de que a vacinação, seja a primeira dose ou as doses de reforço, permanecerá uma necessidade para combater crises sanitárias e epidemias, os recentes avanços nas tecnologias indicam que temos muito a ganhar na saúde.