FIFA entra em campo no streaming em meio ao acirramento da disputa por espectadores

A FIFA anunciou recentemente o lançamento de seu serviço de streaming FIFA+, pelo qual transmitirá mais de 40 mil jogos de futebol masculino e feminino até o fim do ano, incluindo os jogos da Copa do Mundo do Catar. O canal transmitirá ainda imagens de arquivo, estatísticas e outras atrações do mundo do futebol.

O lançamento da plataforma da maior entidade de futebol do mundo para exibir jogos de times de 100 federações associadas é um marco, especialmente quando se considera o perfil conservador e centralizador ao longo da história. A FIFA se torna distribuidora de seu próprio conteúdo e não mais uma licenciadora que exerce seu poder com emissoras de TV de todo o mundo.

A disrupção causada pelas novas tecnologias que possibilitaram o desenvolvimento de infraestrutura de rede e armazenamento em nuvem foi enorme. Ela deu origem ao serviço de streaming que, por sua vez, democratizou o consumo de conteúdo revolucionando a indústria do entretenimento. De acordo com a mais recente edição da pesquisa Global Entertainment & Media Outlook, da consultoria PwC, as receitas com streaming de vídeo sob demanda (SVOD, na sigla em inglês) somarão US$ 81,3 bilhões em 2025.

A tendência de migração dos consumidores dos canais tradicionais para a internet segue crescendo. Em março, a audiência dos serviços de streaming no Brasil, medida pelo Ibope, superou a de canais abertos como SBT, Band e RedeTV somados.

A FIFA, sem dúvida, está entrando num segmento promissor, mas em um momento em que a multiplicação de provedores com a entrada de grandes grupos de mídia, como Disney e Globoplay, para citar dois exemplos, vêm acirrando a disputa por consumidores. A intensidade da competição entre os grandes players, como Amazon, Discovery, Disney e Netflix, é enorme e deu margem ao debate sobre quantas assinaturas cada consumidor está disposto a pagar.

Dois milhões de assinantes a menos

A Netflix acaba de divulgar resultados revelando a perda de 200 mil assinantes entre janeiro e março deste ano e prevê que outros 2 milhões devem cancelar suas assinaturas nos próximos meses. A líder do streaming não registrava perda de assinantes desde 2011. Em reação, a empresa estuda incluir anúncios em sua programação para reduzir o preço das mensalidades.

Compartilhamento de contas, aumento da concorrência, suspensão de serviços na Rússia devido ao conflito com a Ucrânia e, claro, a entrada de novos concorrentes foram as causas apontadas pelos executivos para a queda na base de assinantes. O aumento nos preços das assinaturas, no início do ano, também afugentou clientes.

Assim como a Netflix, que se tornou sinônimo de streaming, os concorrentes também avaliam novas formas para manter receita.  Uma delas é a entrada no segmento de games por meio de parceria com desenvolvedores.

“Nesse cenário hipercompetitivo é fundamental que os provedores priorizem a qualidade da experiência e do serviço se quiserem se manter no jogo e fidelizar espectadores”, afirma Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. Ele acredita que estamos entrando em uma nova fase para os serviços de streaming.