Gatilhos de mudanças climáticas e a preservação da Amazônia

Se os efeitos cumulativos do aquecimento global podem ser dramáticos, um fator ainda mais assustador vem tirando o sono dos cientistas. É cada vez mais claro que a partir de um certo nível de aquecimento, alguns gatilhos podem ser disparados, e a mudança climática passaria então a se retroalimentar. Esse ponto de inflexão, segundo o último relatório do IPCC (o órgão da ONU para mudanças climáticas) não é de 5 ou 6 graus como se chegou a pensar no passado, mas foi revisado para apenas 2 graus Celsius. Dentre os principais riscos estão o descongelamento do solo florestal do Canadá e da Rússia, o chamado “permafrost”; a liberação de uma enorme quantidade de metano que está resfriada no fundo do oceano na forma de “esponjas”; e o declínio da Amazônia, que pode se transformar em savanas se houver secas mais prolongadas seguidas de incêndios provocados pelo próprio aquecimento da Terra.

Recentemente, um assustador artigo publicado por cientistas do Instituto de Sistemas Globais da Universidade de Exeter e do Instituto de Pesquisa de Impacto Climático de Potsdam deu conta que esses disparadores estão se mexendo. E justamente a Amazônia estaria mais próxima desse limiar. Ela já perdeu cerca de 17% de sua cobertura desde 1970, e alguns modelos indicam que ela pode colapsar totalmente se – em conjunto com o aquecimento global – o desmatamento ultrapassar 20%.

Essa é uma situação extremamente crítica, talvez o maior desafio já enfrentado pela humanidade em seu conjunto, e mudanças de padrão tecnológico são fundamentais para lidar com esse problema, como tem sido observado numa série de setores. A questão hoje não é tanto a de criar novos equipamentos mais limpos para gerar energia ou propiciar transporte de qualidade. Eles já existem, e são inclusive economicamente viáveis. Mas, sim, enfrentar os reveses que estão sendo impingidos às políticas de contenção de mudanças climáticas por visões míopes e mesquinhas, que nos colocam e às futuras gerações em risco.

Efeito estufa

A principal preocupação dos climatologistas do mundo se relaciona à intensificação do efeito estufa. Ele ocorre porque o carbono acumulado na atmosfera permite que os raios do Sol penetrem até o solo, mas impede que uma parte do calor – cada vez maior – volte a ser dispersada pelo espaço. Por isso se chama “efeito estufa”; é como se estivéssemos em um carro fechado: o vidro deixa a energia do Sol entrar em forma de luz, mas não deixa que ela saia na forma de calor.

Estudos científicos realizados desde os anos 1970 consideram que a atividade humana intensificou esse acúmulo de gás carbônico na atmosfera desde que se iniciou a Revolução Industrial, há cerca de 200 anos. Durante todo esse tempo, estivemos (e ainda estamos) utilizando carbono que estava armazenado e dispersando-o pelo ar. Isso é feito de duas maneiras. A primeira é a queima de material fóssil para gerar energia; ou seja, usar petróleo ou carvão, materiais que são compostos em grande parte por carbono, para alimentar motores ou usinas termelétricas. A segunda, que tem muito a ver com o Brasil, consiste na eliminação de florestas, cuja biomassa (os troncos, galhos, folhas, raízes) armazenam carbono: no corte ou na queima desse material, as moléculas se desintegram e o carbono vai para a atmosfera na forma de gás. Por esse motivo, os setores energético e tecnológico desempenham papel fundamental no combate ao aquecimento global.

 

Com informações de Phys e IPCC