Gigantes de tecnologia se reúnem para discutir padrões para o metaverso

Meta (Facebook) , Microsoft, Epic Games, Adobe, Nvidia e até a gigante de móveis Ikea, em conjunto com outras 30 empresas, vão organizar reuniões para discutir padrões que possam tornar o metaverso interoperável.

O núcleo da iniciativa é o Khronos Group, uma organização sem fins lucrativos formada por mais de 150 empresas para gerenciar e desenvolver padrões abertos presentes em muitas tecnologias já presentes no dia a dia, como OpenGL e  Vulkan, ambas para gráficos de videogames.

Assim, a Khronos anunciou a criação de um grupo de trabalho chamado Metaverse Standards Forum (MSF), cuja finalidade é ajudar a desenvolver novas ferramentas para o metaverso.

“O metaverso tem potencial para se tornar um mundo virtual em que todos passaremos parte de nossas vidas, fazendo compras, jogando e socializando”, explica Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. Para corroborar a afirmação,  ele aponta a previsão da consultoria Gartner: em 2026, 2 bilhões de pessoas estarão no metaverso.

O executivo Neil Trevett, da Nvidia, é o presidente do Metaverse Standards Forum. Ele esclarece que o grupo de trabalho vai se concentrar na criação dos “blocos de construção” do que os desenvolvedores precisam hoje para tornar o metaverso funcional.

 

Muitos dados demandam boa padronização

Ao projetar mundos virtuais – e especialmente aqueles que devem interagir com o mundo real – é inevitável lidar com grandes quantidades de dados.

Cada objeto ou personagem é composto de dados geométricos e físicos: forma, cor, texturas, peso e massa. Se pensarmos na representação de seres vivos, somam-se dados sobre comportamentos, movimentos, sons, necessidades vitais e muito mais.

A Khronos espera que a padronização torne muitos desses dados tão facilmente interoperáveis quanto um arquivo JPEG é hoje, com imagens em duas dimensões. A proposta para chegar nessa solução é continuar o trabalho com o GLTF, um padrão aberto, lançado em 2015, e que concorre com outros formatos 3D, como arquivos OBJ e FBX.

Quem está fora?

Mesmo sob uma perspectiva de que é essencial a criação de padrões para a evolução do metaverso, há empresas globais de tecnologia que não integram o Metaverse Standards Forum (MSF).

O exemplo mais notório é a Apple, que trabalha para entregar ao mercado um headset de realidade mista – em 2022 ou 2023 – que, segundo especialistas, poderá tornar a companhia dominante na corrida do metaverso. Ou seja, a Apple estaria a um passo de se tornar uma forte concorrente da Meta / Facebook.

As empresas de videogames Roblox e Niantic também não foram incluídas entre os participantes do fórum. A Decentraland e a The Sandbox, duas companhias emergentes do mercado de criptomoedas dedicado ao metaverso, também são ausências apontadas no MSF.