Governo lança Plano Nacional de Internet das Coisas

O Decreto n° 9.854, publicado em 25 de junho pelo presidente Jair Bolsonaro, instituiu o Plano Nacional de Internet das Coisas. Conhecida como IoT (do inglês Internet of Things), a Internet das  Coisas é um termo utilizado para descrever a conexão de objetos, eletrodomésticos, veículos e demais equipamentos à rede mundial de computadores, de maneira autônoma. O tema já vinha sendo discutido pelo setor de tecnologia há alguns anos. Em 2017, durante o Futurecom – principal evento de telecomunicações da América Latina – o BNDES havia apresentado uma prévia de estudos realizados para embasar esse projeto.

O aprimoramento dos protocolos de conexão à internet possibilitou também a ampliação da quantidade de dispositivos conectados. Equipados com chips, antenas, softwares e sensores inteligentes, os itens aperfeiçoados com a IoT transmitem dados, se interligam e trocam informações. Assim, tornam a vida das pessoas mais fácil. Além disso, a IoT também é importante por seu potencial financeiro. Segundo pesquisas recentes, o plano de ação focado na IoT pode gerar até US$200 bilhões para a economia nacional até 2025.

Além de regulamentar o desenvolvimento da loT, o decreto também cria a Câmara de Gestão e Acompanhamento do Desenvolvimento de Sistemas de Comunicação Máquina a Máquina e Internet das Coisas, ou Câmara IoT. A Câmara – presidida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) – será o órgão responsável por acompanhar a implementação do Plano Nacional de Internet das Coisas. Segundo o Decreto, ela também deverá promover e fomentar parcerias entre entidades públicas e privadas, discutir os temas do plano de ação com órgãos e entidades públicas, apoiar e propor projetos mobilizadores e atuar conjuntamente com órgãos e entidades públicas para estimular o uso e o desenvolvimento de soluções de IoT.

IoT nas cidades e no campo

Além dos usos pessoais de assistentes inteligentes, os dispositivos conectados também são fundamentais para o desenvolvimento das redes de transporte e de cidades inteligentes. A possibilidade de aprimorar a IoT no Brasil abre caminhos para se pensar no desenvolvimento e ampliação das smart cities no país. Integrar o desenvolvimento urbano aos sistemas de informação e comunicação pode melhorar a qualidade de vida dos moradores, com sistemas urbanos mais eficientes e controle de serviços públicos como coleta e tratamento de lixo, iluminação pública e segurança.

Outro setor importante para as tecnologias de conexão à distância é o agronegócio: o campo no Brasil dá passos importantes em seu desenvolvimento com o uso da IoT. Segundo a Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), máquinas agrícolas equipadas com a tecnologia estão disponíveis e, por terem a conectividade aumentada, dispensam o sinal tradicional das operadoras de telecomunicações para o seu funcionamento, se conectando diretamente a satélites.

Para Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas, a IoT pode aumentar a capacidade de produção agrícola e reduzir custos. “O uso da tecnologia no campo, assim como nas outras áreas, pode ser decisivo para resolvermos questões muito maiores, que vão além do local e podem ser a resposta para problemas globais, como o aumento da produtividade do campo e o combate à fome.”, afirma.