Hackathons estimulam cultura de inovação nas empresas, afirma Arie Halpern

As corporações emprestaram do universo da programação as hackathons, as chamadas maratonas de hackers. O termo, cunhado em 1999 durante encontro dos desenvolvedores da criptografia nos Estados Unidos, se propagou pelo mundo quando Google e Facebook incorporaram a técnica. Nesses encontros, marcados por brainstorms que podem durar horas, dias ou até mesmo meses, são discutidas maneiras de aprimorar dados e sistemas e consertar bugs que sejam do interesse de quem organiza o campeonato. Segundo Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas, as grandes corporações estão enxergando no formato uma oportunidade eficiente para agregar valor aos seus produtos e serviços.

Segundo pesquisa da consultoria McKinsey, as hackthons diminuem de 25% a 50% o tempo que grandes corporações ao redor do mundo levam para lançar um novo serviço ou produto no mercado. Ou seja: uma injeção de criação que compensa o investimento e estimula a cultura de inovação.

Um exemplo de grande corporação que está apostando nesse formato, como reporta a revista “Exame” em sua edição de abril, é a Ambev. Ao adaptar a “competição” às suas próprias necessidades, ela foi uma das empresas brasileiras a apostar no modelo. Segundo a reportagem, a fabricante de bebidas reuniu, em novembro do ano passado, 76 participantes por 24 horas. Durante o período, a proposta era de que os recrutados desenvolvessem canais digitais de relacionamento com o público consumidor dos produtos oferecidos pela empresa. Ao final da maratona, a equipe que apresentou um projeto de aplicativo para melhorar a experiência do consumidor em bares foi a grande “vencedora”, levando como prêmio uma viagem para o Vale do Silício.

Outra empresa que investe na dinâmica e eficiência das hack­athons é a Natura. Numa delas, que durou seis dias, participou o laboratório de pesquisas interdisciplinares do MIT (Massachussetts Institute of Technology), referência em inovação. O encontro teve o objetivo de responder à seguinte pergunta: “Como a tecnologia pode conectar o produto no ambiente digital de modo a melhorar a experiência do consumidor?” Ao final, de acordo com o Portal Draft, as duas melhores ideias ganharam bolsas de seis meses no programa “Estudante Visitante” do MIT Media Lab, em Boston, para desenvolver seus projetos em 2015.

Em uma atmosfera colaborativa e inspiradora, diz Arie Halpern, as hackathons promovem projetos inovadores e aplicáveis, em um espaço totalmente voltado para a experimentação e interação. Como disse Pedram Keyani, ex-diretor de engenharia no Facebook, “as hackathons encorajam de forma orgânica a construção de uma cultura e colaboração dentro de uma empresa”.


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