Hambúrguer impossível é possível, mas caro

No dia 1º de abril, o Burger King começou a vender, em Saint Louis, Missouri, um hambúrguer de carne sem carne. A nova versão foi batizada como “Impossible Whopper”, associando o nome de seu carro-chefe ao de seu parceiro: a Impossible Foods. E não se tratava de pegadinha do 1º de abril.

A diferença do novo produto feito com vegetais é que o alvo não são adeptos de dietas vegetarianas, mas, sim, pessoas que comem e gostam de carne bovina – mas ainda assim buscam opções de alimentos mais sustentáveis. Criada no Vale do Silício, o berço da inovação, a Impossible Foods tem como objetivo reduzir o impacto ambiental substituindo a carne animal por similares de carne, peixe e produtos lácteos produzidos com plantas.

O principal apelo é combater o aquecimento global por meio da redução das emissões de gases de efeitos estufa, do consumo de água e energia. Além disso, os alimentos inusitados evitam o sofrimento animal. Segundo a análise do ciclo de vida divulgada pela Impossible Foods, o hamburguer de planta consome 96% menos solo e 87% menos água, além de gerar 89% menos gases de efeito estufa, que seu correlato de carne.

Criar “o futuro da proteína” é o slogan da concorrente Beyond Meat, cujo IPO deve ocorrer em breve. Seus hambúrgueres e salsichas feitos com componentes vegetais são vendidos em supermercados como Walmart e Whole Foods, e em redes de lanchonetes como Carl’s Jr e TGI Friday, nos Estados Unidos.

Nem só startups

O potencial dos substitutos de carne nos EUA, cujas vendas de acordo com a Nielsen cresceram 24% no ano passado, está atraindo também os players tradicionais. A Nestlé já anunciou sua entrada no segmento e começa a vender seu “Incredible Burger” ainda este mês na Europa. Nos Estados Unidos, o produto será chamado “Awesome Burgers”.

O mercado de proteína a base de plantas deve superar US$ 10 bilhões em 2022, crescendo em média 6,7% ao ano, prevê a Meticulous Research. Embora os produtos similares tenham conseguido se aproximar muito do sabor, da textura e do aspecto da carne, as alternativas têm um atributo que ainda pesa para o consumidor: o preço. Não basta vencer o desafio do paladar, as startups terão que enfrentar o enigma dos cifrões.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *