Hologramas e avatares vão desbancar as videoconferências para encontros virtuais de trabalho ou lazer?

As videoconferências se tornaram atividade permanente no dia a dia de todos desde a eclosão da pandemia de Covid-19 – e não apenas para reuniões corporativas, mas, também, para eventos, treinamentos e encontros de família ou amigos. Após quase dois anos de eventos virtuais, colecionam-se relatos da chamada “fadiga de Zoom”, estado de cansaço que levou o nome da plataforma mais popular desse mercado.

Em grande parte, a fadiga provocada pelas videochamadas decorre do fato de que há dificuldade para reproduzir virtualmente alguns aspectos dos encontros presenciais, como captar reações e movimentos discretos e identificar a linguagem corporal. Na tela, somos mais estáticos, não gesticulamos ou transmitimos muitas emoções.

Nesse cenário, empresas de tecnologia estão oferecendo soluções com uso de holograma e avatares.

A canadense ARHT Media lançou um sistema de exibição 3D para reuniões virtuais. Batizada HoloPresence, a tecnologia projeta uma pessoa de forma bem realista a partir de hologramas. E já vem sendo usada por empresas como a WeWork, dedicada ao aluguel de espaços de trabalho coletivos.

O Facebook anunciou sua nova tecnologia, Horizon Workrooms, que usa um equipamento de realidade virtual, o Oculus Quest, para reunir colegas como avatares dentro de uma sala de reunião simulada. A empresa também está desenvolvendo uma plataforma de realidade virtual aumentada chamada Microsoft Mesh. Ainda em estágio inicial, ela possibilita o uso de hologramas em vários dispositivos.

Salas de reunião com luz “natural” e paisagem digital

Os espaços virtuais de reunião buscam mimetizar cenas que fazem parte da rotina corporativa. No caso do Facebook, os usuários configuram um avatar e, antes de chegar à sua sala, são recebidos em uma mesa virtual. As salas de reuniões são espaços com paredes em tons pastéis, muita luz “natural” e janelas do chão ao teto com vista para uma paisagem. Nelas, os usuários podem mudar as mesas para fazer reuniões em diferentes formatos.

Como toda nova tecnologia, ainda há barreiras a serem superadas. Uma delas é o custo, já que os equipamentos ainda são caros. Elas ainda apresentam eventuais falhas no funcionamento, que precisam ser corrigidas e devem enfrentar resistências por parte dos usuários.

“A própria tecnologia de videoconferências, que começou a ser desenvolvida ainda em meados do século passado, demorou décadas para realmente se popularizar. Ainda antes dos anos 2000 não eram raras previsões de que elas se tornariam uma ferramenta diária, mas isso só ocorreu com a pandemia e a obrigatoriedade do trabalho remoto”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.