IA e a evolução da relação entre humano e máquina

Há uma relação quase simbiótica entre homens e máquinas, sobretudo no aspecto social. Com a evolução da Inteligência Artificial (IA), essa relação se intensifica. A IA é a inteligência humana inserida em softwares, sistemas e plataformas que simulam a capacidade humana de raciocinar e resolver problemas. À medida em que as tecnologias de IA aprendem a interpretar e a responder às emoções humanas, expandiremos cada vez mais a possibilidade de avançar em praticamente todas as áreas, de saúde a campanhas de publicidade.

No que diz respeito à compreensão da linguagem, a inovação é a IA de conversação. Nesse caso, a inteligência artificial que faz com que um software entenda e interaja naturalmente, usando linguagem falada. Ela permite a interação com a máquina como se fosse uma conversa entre humanos. As plataformas de conversação são uma evolução dos chatbots com os quais estamos costumados e com os quais nem sempre a comunicação é fluída e sem empecilhos.

Chatbots versus IA de conversação

Chatbots e plataformas com IA de conversação funcionam de forma similar, porém possuem uma diferença fundamental. Os chatbots simulam a conversa humana, mas apresentam limitações. Eles dependem de palavras-chave e de outros sistemas para que possam dar as respostas necessárias, enquanto a IA de conversação é capaz de decifrar linguagens e interpretar inclusive intenções na fala e expressões.

Ambos usam o Processamento de Linguagem Natural (PNL), que, por sua vez, engloba dois processos: a Compreensão da Linguagem Natural (NLU, do inglês Natural Language Understanding) e a Geração da linguagem Natural (NLG, Natural Language Generation). O NLU usa a análise sintática e semântica para determinar o significado de um enunciado (escrito ou oral). Já a NLG possibilita a escrita, de forma que a máquina pode responder por texto que, por meio de outros sistemas, podem ser convertidos em linguagem falada.

Esse ramo da IA ​​visa tornar os computadores capazes de compreender palavras ou textos falados, da mesma forma que os seres humanos.

A PNL combina modelos de aprendizado profundo e aprendizado de máquina para tornar isso possível. Ele permite que os computadores compreendam o sentimento e a intenção de quem fala, superando, inclusive, obstáculos como uma pronúncia incorreta ou uma palavra mal-empregada. Ou seja, pode compreender a fala humana mesmo que ela não seja a mais correta ou clara.

A evolução no uso dessas tecnologias faz com que avancemos cada vez mais em direção a uma realidade em que máquinas e sistemas sejam capazes de agir como humanos, com habilidades como manter uma conversa coerente e compreender emoções. É a chamada IA emocional, que torna possível entender, simular e responder a emoções humanas.

Aos poucos, as máquinas capazes de analisar enormes quantidades de dados se tornarão também aptas a reconhecer reações, como demonstração de raiva, tristeza ou estresse. A capacidade de escrutinar imagens nos mínimos detalhes, por exemplo, faz com que sejam capazes de detectar microexpressões no rosto de uma pessoa, que podem passar despercebidas para muitos de nós, e associá-las a estados de espírito.

Como disse a cientista da computação Rana el Kaliouby, o paradigma não é mais humano versus máquina, e sim a máquina fortalecendo e aumentando o poder humano.