IA e nanofitas recarregam as baterias

Um dos componentes de dispositivos eletrônicos que menos evoluiu nas duas últimas décadas, as baterias têm sido um limitador para inovações como a internet das coisas e os carros autônomos. Mas duas descobertas recém-divulgadas sinalizam que podemos estar no limiar de um novo salto.

As baterias de íon-lítio que usamos são relativamente baratas, porém é difícil prever seu tempo de vida útil. A única maneira de fazê-lo é carregar e descarregar a bateria repetidamente até que ela perca sua capacidade energética. Um processo que demanda muito tempo e um dos motivos pelos quais elas não acompanharam o ritmo de inovação dos eletrônicos.

Usando inteligência artificial e machine learning, cientistas do MIT e da Stanford University criaram um algoritmo que consegue prever a vida útil das baterias antes que a capacidade energética comece a diminuir. A partir de um modelo com centenas de milhões de dados, o algoritmo prevê quantos ciclos a bateria irá durar ainda no início de sua vida útil.

Descoberta acidental

Outro avanço veio de uma equipe de pesquisadores da London College University. Eles conseguiram criar pequenas faixas bidimensionais de fosforeno, as nanofitas. Com elas, o tempo de carregamento das baterias deve reduzir significativamente.

A exemplo de outras grandes descobertas, as nanofitas de fosforeno surgiram acidentalmente. “Tentávamos separar cristais de fósforo em camadas bidimensionais, mas acabamos criando pequenos fios, como ‘tagliatelle’, com espessura de um único átomo, largura de cerca de 100 átomos, porém, com comprimento de cem mil átomos”, explicou o professor Chris A Howard, ao site de notícias acadêmicas The Conversation.

As nanofitas fazem com que os íons se movam mil vezes mais rápido do que nas atuais baterias de lítio. Algumas das aplicações previstas, além das baterias, são células solares, dispositivos termoelétricos para conversão de calor residual em eletricidade e computação quântica.

“Pesquisas com nanomateriais para aumentar a capacidade energética e a vida útil das baterias vêm sendo feitas em algumas das univesidades de ponta e parecem ser o principal caminho para impulsionar projetos como o do carro autônomo”, prevê Arie Halpern, empresário e especialista em tecnologias disruptivas.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *