IA na linha de frente contra o coronavírus

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece, desde o final de janeiro, o surto do novo coronavírus (COVID-19) como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), que é um dos mais altos graus de alerta da entidade. No epicentro da contaminação, a região de Wuhan, após 77 mil contaminações e cerca de 2.500 mortes, a doença começa a dar os primeiros sinais de arrefecimento. No entanto, o alerta continua em todos os outros países do mundo, inclusive no Brasil, onde o primeiro caso foi confirmado esta semana. Além das consequências humanitárias, há um forte temor de importantes desdobramentos econômicos, o que tem provocado quedas expressivas nas bolsas de valores.

Os coronavírus, no entanto, não são uma novidade: são a segunda principal causa do resfriado comum (após rinovírus), e até recentemente não costumavam causar doenças mais graves em humanos do que o resfriado comum. O problema é que, como explica a teoria darwinista da evolução, pequenas modificações entre os indivíduos de uma espécie propiciam aos mais aptos proliferar-se. Isso também ocorre no mundo microscópico, e em maior velocidade porque muitas gerações se sucedem em pouco tempo, aumentando as chances de variações. Ao todo, sete coronavírus humanos (HCoVs) já foram identificados: HCoV-229E, HCoV-OC43, HCoV-NL63, HCoV-HKU1, SARS-COV (que causa síndrome respiratória aguda grave), MERS-COV (síndrome respiratória do Oriente Médio) e o, mais recente, novo coronavírus (que recebeu o nome de COVID-19).

Para lidar com essa ameaça, no entanto, há uma nova ferramenta poderosa, a Inteligência Artifical (IA), capaz de ajudar no mapeamento eficiente das mutações, e assim dar aos cientistas as chaves para combater a propagação das novas espécies de vírus. Na própria China, ela ajudou a sequenciar o genoma do coronavírus, o que abre caminho para possíveis vacinas. Alguns resultados promissores já aparecem, como um possível tratamento investigado pela empresa Benevolent AI, que aposta em um remédio similar ao usado para o tratamento de artrite reumatoide. Enquanto isso, a Insilico Medicine pesquisa, com a IA, moléculas que podem inibir a expansão do coronavírus pelo corpo.

 

Prevenção tradicional

“O desenvolvimento de novos tratamentos tende a ser rápido, mas há todo um processo para testar a segurança e eficiência das novas drogas, e os primeiros resultados não devem ser esperados antes de pelo menos 18 meses”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. Por hora, as medidas de proteção recomendadas pela OMS são as mesmas para prevenir outras doenças respiratórias, redobrando-se a atenção com a higiene das mãos e do rosto. Também é importante encaminhar com presteza pessoas que estejam com sintomas de contaminação a um atendimento médico adequado.

 

Com informações: G1; Organização Panamericana de Saúde (OPAS); Organização Mundial de Saúde (OMS); Época Negócios; Benevolent AI; Insilico Medicine.