Incentivo à tecnologia climática para viabilizar a descarbonização da economia

No esforço para limitar o aquecimento global a 1,5 graus centígrados até o fim do século, como previsto no Acordo de Paris, já conseguimos desenvolver alguns produtos de baixo carbono. Lançando mão de tecnologias inovadoras e disruptivas, criamos combustíveis verdes, baterias abastecidas com fontes renováveis e novos processos produtivos para o aço e o cimento, por exemplo. Mas, como todas as tecnologias emergentes, estas, apesar de promissoras, precisam ganhar escala para reduzir seu custo e se tornarem competitivas.

Uma iniciativa lançada pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) vai impulsionar a demanda global por essas soluções ajudando a desenvolver cadeias de suprimentos verdes. Chamada First Movers Coalition, ela reúne cerca de 30 grandes empresas, incluindo líderes globais de oito setores. São siderúrgicas, fabricantes de produtos químicos, empresas de aviação e transporte marítimo e montadoras.

Grande parte das soluções estão em estágio inicial, algumas delas ainda em fase de protótipo ou piloto, mas serão cruciais para descarbonizar setores tradicionais da economia global. Sete dos setores presentes na coalizão são responsáveis por mais de um terço das emissões globais de gases de efeito estufa. O oitavo setor é formado por indústrias que capturam ar diretamente em suas atividades – um processo com grande potencial para reduzir a emissão de dióxido de carbono, mas que ainda necessita de grandes investimentos.

Pedidos de compra assumidos

A ideia é parecida com a da Renewable Energy Buyers Alliance, criada em 2018 para estimular o uso de energia renovável por empresas eletrointensivas.

“A tecnologia é o caminho para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e desenvolver uma economia de baixo carbono, mas para chegarmos a isso é preciso alavancar a demanda e rápido”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. As empresas que aderiram à coalizão usarão seu poder de compra conjuntamente para criar as condições de mercado necessárias.

As empresas fundadoras já assumiram pelo menos um compromisso de compra. A siderúrgica sueca SSAB, por exemplo, faz parte da HYBRIT, uma parceria para produzir aço a partir de hidrogênio verde. Um impulso para esta parceria foi o apoio de montadoras como Volvo e Mercedes-Benz por meio da compra da matéria-prima. Outra participante é a Amazon, que encomendou 100.000 vans elétricas produzidas pela Rivian. E a United Airlines se comprometeu a comprar 3,7 bilhões de litros de combustível de aviação sustentável nos próximos 20 anos.