Arie Halpern: replicar modelo de sucesso é arriscado

No mundo dos negócios, pegar carona no Uber está indo muito além de pagar pelo uso do transporte pelo aplicativo. Diante do sucesso do modelo “on-demand” do Uber, avaliado em US$ 60 bilhões, novas ideias e aplicativos surgem no mercado, seguindo a mesma trajetória do aplicativo de caronas pagas. Replicar a fórmula, entretanto, não é garantia de sucesso. Oferecer conveniência ao consumidor, qualquer que seja o setor, pode onerar os custos a ponto de inviabilizar a operação.

É exemplar o caso do aplicativo Luxe, criado em São Francisco, na Califórnia, para servir à população em geral como solução para o problema de falta de estacionamento na cidade. Ao oferecer manobristas que, pelo smartphone, buscam e estacionam o carro do usuário a US$ 5 a hora ou US$ 15 por dia, no máximo, o serviço atraiu bastante público. Porém, os custos para manter o serviço aumentaram muito e tiveram de ser repassados ao preço, que dobrou. Trajetória semelhante foi a da norte-americana Postmates, que garante a entrega de inúmeros produtos em menos de uma hora, com um sistema similar ao utilizado pelo Uber. Os custos aumentaram, as entregas ficaram mais caras e a vantagem competitiva da empresa em relação à concorrência, que entrou depois dela, desapareceu.

Para que uma empresa seja de fato disruptiva, alerta Oscar Salazar, engenheiro responsável por desenvolver a primeira versão do aplicativo Uber, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, é necessário que os empreendedores pensem fora da caixa. O sucesso do modelo on demand, para ele, “depende de um tipo de serviço que possa ser solicitado várias vezes ao longo do mesmo dia”. Um dos segmentos naturais para esses serviços, diz ele, é a área alimentícia, de entrega de refeições ou outros produtos. Ou seja, nem sempre uma fórmula de sucesso é aplicável para todos os setores.


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