Inovações disruptivas a serviço da inclusão social

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Pessoas com deficiência enfrentam grandes desafios diariamente que são potencializados pela falta de inovações para melhorar a acessibilidade e a mobilidade. As startups que surgem no mercado visam ao lucro sem se atentar à necessidade de atendimento a essa parcela da população desassistida. Em razão dessa brecha, o protagonismo desse mercado está sendo exercido pelos próprios cidadãos que sofrem com a falta de serviços adaptados.

Num passeio pela cidade de Paris, no ano passado, a francesa Charlotte de Vilmorin teve grande dificuldade para encontrar carros adaptados para sua locomoção na condição de cadeirante. Daí surgiu a ideia de investir na Wheeliz, uma startup que facilita o serviço de locação de carros adaptados. De acordo com reportagem do portal internacional Mashable, o serviço, uma espécie de Uber adaptado a pessoas deficientes, evidencia a importância social que um projeto de economia compartilhada pode exercer. Afinal, é um ganha-ganha: os donos dos carros cobram uma diária de US$ 55 a US$ 65 pela locação e a Wheeliz fica com 30% desse valor.

O irlandês Matt McCann, que se locomove com a ajuda de um andador com rodas, por causa de uma paralisia cerebral, desenvolveu a plataforma Access Earth, de cruzamento de dados e listagem de edifícios e locais acessíveis para pessoas com deficiência. Nesse caso, ainda segundo o portal Marshable, a plataforma segue o modelo popularmente conhecido do Google Maps. Mais do que introduzir inovações disruptivas no mercado, esses serviços revolucionam tecnologicamente o setor ao priorizar a oferta de mobilidade, acessibilidade e inclusão.

Outro caso exemplar é o do dinamarquês Hans Jorgen Wiberg, que sofre de deficiência visual. Inspirado em suas próprias dificuldades no dia a dia, ele criou o Be My Eyes. Segundo o portal Hypeness, o aplicativo, desenvolvido em Copenhague, conecta deficientes visuais e permite que, por meio da fala e da imagem, voluntários ajudem em momentos críticos, como uma leitura de placa na rua, data de validade de produtos em supermercados, entre outros. O projeto tem conquistado usuários de todos os países, e, como uma “corrente do bem”, influenciado muitas pessoas a seguirem com suas ideias em prol da inclusão.

São muitos os casos de criações voltadas para a mobilidade e desenvolvidas a partir das dificuldades diárias de quem tem algum tipo de deficiência. O que fica de ensinamento é a importância de que todos, deficientes ou não, tenham um olhar apurado sobre o que se pode fazer, no campo na inovação, para promover a inclusão.


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