Inteligência Artificial capaz de detectar emoções gera debate

Os avanços da Inteligência Artificial (IA) são relatados diariamente por institutos de pesquisa ligados a universidades em todo o mundo, e muitos deles inseridos no mercado com bastante rapidez. Há uma verdadeira corrida nessa área. As principais potências tecnológicas do planeta, os Estados Unidos, a China, o Japão, a União Europeia e – também no pelotão da frente – a Coreia do Sul, superam-se umas às outras a cada nova edição de revistas científicas especializadas. Os algoritmos da IA vão se tornando cada vez mais sofisticados, ao mesmo tempo em que passam a dispor de hardwares capazes de processamento massivo de dados.

Todos esses avanços estão revolucionando áreas como a medicina, a engenharia, a administração, os transportes e as comunicações. Além disso, começam a mostrar sua utilidade também naqueles nichos que até pouco tempo atrás eram considerados exclusivamente “humanos”, e mal se podia pensar que um dia estivessem suscetíveis à atuação das máquinas. O direito, com algoritmos que fazem contratos e mesmo julgam causas, ou o jornalismo, com máquinas capazes de produzir e editar textos e imagens, são alguns deles.

No entanto, as novidades não param por aí. Pesquisadores da Universidade de Tecnologia Hefei, da China, e de várias universidades do Japão desenvolveram recentemente um sistema de detecção de emoções humanas que pode ser aplicado sobre multidões. Aquilo que as pessoas estão sentindo é captado à distância por meio de equipamentos que conseguem ler o padrão corporal. Eles apresentaram esse novo sistema de IA, chamado EmoSense, em um artigo pré-publicado na revista arXiv, editado pela Univerisdade de Cornell. Já havia sistemas que tentavam decifrar emoções humanas desenvolvidas anteriormente, mas todas elas dependiam de equipamentos pesados e abordagens individualizadas. Por meio dessa nova ferramenta, será possível detectar o comportamento das pessoas em locais de espetáculos públicos, como arenas esportivas, teatros cinemas e também em espaços sensíveis à segurança, como aeroportos e alfândegas.

A cada vez que as equipes de cientistas conseguem uma inovação importante, isso acarreta em mudanças de padrões em vários aspectos da vida social, e ainda mais nesse caso. Quando se trata desse tipo de interface, entre um algoritmo e aquilo que os humanos consideram sua condição mais própria, a expressão de emoções, sempre há um debate envolvido. Enquanto a AI avançava em áreas técnicas, a maior parte das pessoas ainda não havia atinada para os seus grandes potenciais também em outros campos, como o da psicologia de grupos. E, então, surgem os questionamentos sobre privacidade, a substituição de empregos ou mesmo sobre os limites éticos de sua disseminação.

O que é preciso saber, antes de mais nada, é que essa nova realidade chegou para ficar, e que o ser humano não vai “desaprender” como produzir equipamentos de AI cada vez mais sofisticados. E que as máquinas, por si mesmas, sempre executarão as tarefas que nós, humanos, lhes dermos – seu potencial será explorado de acordo com nossa vontade. O que devemos fazer, como sociedade, é nos manter informados de maneira a produzir um debate qualificado. Por meio da educação e do diálogo, teremos sempre a garantia de que os equipamentos desenvolvidos nos laboratórios terão o melhor uso e nos ajudarão a dar um salto adiante em prosperidade e qualidade de vida.