Inteligência Artificial diminui prazo e aumenta eficiência no resultado em teste para detecção da Covid-19

Conforme nos adaptamos ao novo normal de conviver com o vírus da Covid-19, a ciência e a tecnologia dão origem a novos testes e tratamentos. A detecção do vírus, de forma rápida e eficaz, é um passo essencial para a segurança de todos e para o tratamento já nos primeiros sintomas da doença.

Usando inteligência artificial, pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, desenvolveram um teste para uso em pacientes internados em hospitais e clínicas, cujo processamento leva apenas 10 minutos, sem necessidade de análise em laboratório. Ou seja, pode vir a ser um importante aliado, especialmente, em hospitais menores, que não dispõem de laboratório próprio.

O modelo de IA utiliza uma base de registros eletrônicos de mais de 100.000 pacientes, analisando os sinais vitais e hemograma completo de pessoas infectadas por Covid-19 e dados pré-pandemia. Batizado CURIAL-Rapide, ele foi desenvolvido a partir do CURIAL-1.0, lançado no fim de 2020.

Durante os três meses de testes no setor de emergência do Hospital John Radcliffe, ligado à universidade, a tecnologia possibilitou obter resultados 16 minutos mais rápido, em média, do que os testes que usam coleta de secreção do nariz ou garganta. E foi 21% mais eficaz na detecção de casos positivos.

Embora o tempo de resposta do teste PCR, considerado “padrão ouro”, tenha diminuído durante a pandemia, o resultado ainda demora entre 12 horas e 24 horas, prazo em que os pacientes precisam ficar isolados, pressionando o atendimento nos hospitais. Isso sem mencionar que há um percentual considerável de falso negativo.

Como os pacientes hospitalizados estão entre os grupos mais vulneráveis, a detecção (ou não) em menor tempo e com mais acuracidade reduz significativamente o risco para todos. Os pacientes infectados são identificados mais rapidamente, assim como os não infectados, que podem ser transferidos para outras áreas de tratamento. O CURIAL-Rapide foi testado também em pacientes dos hospitais de outras três fundações que fazem parte do Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido: Birmingham NHS Foundation Trust, Bedfordshrie Hospitals NHS Foundation Trust e Portsmouth University Hospitals NHS Trust.

O estudo ainda está em fase de preprint, não tendo ainda sido revisado por pares. Outro ponto importante é a recente orientação publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre ética e governança do uso de IA na saúde. A instituição alerta para os riscos de superestimar os benefícios da tecnologia na detecção e tratamento de doenças.

Marcador com propriedade eletroquimioluminescente

No Brasil, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) patentearam um novo teste para detecção do SARS-CoV-2 na saliva. A tecnologia para detecção do vírus usa um marcador com propriedade eletroquimioluminescente (que emite luz a partir de reações eletroquímicas). A presença do material genético do patógeno causa uma reação que emite luz vermelha, indicando resultado positivo para a COVID-19. A intensidade da luz também é proporcional à carga viral da amostra.

Com precisão equivalente à do teste de RT-PCR, a nova tecnologia tem menor custo e capacidade de analisar várias amostras ao mesmo tempo. Além disto, o dispositivo poder ser acoplado a um smartphone, permitindo que o processo de amostragem e testagem seja concluído sem a necessidade de profissional especializado.

Este é o terceiro teste para detecção do novo coronavírus desenvolvido e patenteado pelo Laboratório de Bioanalítica e Eletroanalítica (LaBiE) da UFSCar. Os dois anteriores também têm alta sensibilidade e, se produzidos em larga escala por empresas parceiras, podem permitir a testagem em massa da população, solucionando um dos gargalos no enfrentamento da pandemia.

“Os novos testes, além de contribuírem para a detecção da doença possibilitando tratamento mais rápido, mostram como é importante a pesquisa contínua e o uso de novas tecnologias para o enfrentamento de situações críticas”, conclui Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.