Inteligência artificial e aprendizado de máquina para decifrar a comunicação da espécie mais enigmática do mundo

Decifrar a linguagem do maior mamífero com dentes do planeta, a baleia cachalote, é o objetivo do projeto Cetacean Translation Initiative – CETI. Para isso, uma equipe multidisciplinar que reúne cientistas, biólogos marinhos, linguistas, criptógrafos e especialistas em inteligência artificial (IA) e robótica está desenvolvendo dispositivos para captar e compreender a comunicação dessas gigantes do mar.

Eles já criaram sensores subaquáticos sofisticados e com alta resolução para registar o som das baleias 24 horas por dia. Presos a boias na superfície da água, eles se estendem submersos por centenas de metros até o fundo do oceano. E usando aprendizado de máquina e robótica eles estão avançando para decifrar a comunicação da espécie aquática mais enigmática do mundo.

As cachalotes têm os maiores cérebros de todas as espécies e compartilham características muito semelhantes às dos humanos. Vivem em sociedades matriarcais e multiculturais e têm laços familiares multigeracionais.

Mas ainda há dúvida sobre se os animais têm, de fato, uma linguagem. Segundo os cientistas, os sons emitidos pelos cachalotes são mais fáceis para decodificar porque não são contínuos, como o de outros animais, podendo ser convertidos em linguagem binária. E como se comunicam em grande profundidade e distância, é provável que a comunicação seja exclusivamente acústica, já que não deve estar associada à linguagem corporal.

A comunicação entre espécies animais, e entre eles e humanos, sempre intrigou a ciência. Humanos treinam cães para responderem aos seus comandos e golfinhos aprendem a imitar assobios, assim como alguns chimpanzés e gorilas usam a linguagem gestual.

Com a IA, as pesquisas sobre a comunicação animal estão cada vez mais avançadas. Em 2016, com ajuda do machine learning, cientistas decodificaram diferenças entre os sons dos morcegos Rousettus aegyptiacus que disputavam comida e os que lutavam para conseguir um local de descanso.

Para o especialista em tecnologias disruptivas, Arie Halpern, “se conseguirem compreender a estrutura das vocalizações das cachalotes, os cientistas conseguirão entender como esses animais se comunicam e avançar na compreensão das relações entre as espécies”. De quebra, reforçam o fato de que as novas tecnologias podem beneficiar não apenas a humanidade, mas também outras espécies do planeta.